Jovens do Paquistão pressionam Hillary

Estudantes questionam relação entre EUA e Islamabad

Reuters, LAHORE, PAQUISTÃO, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

A ofensiva de charme da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, no Paquistão se chocou ontem com um muro de suspeitas em uma das principais universidades do país, quando estudantes a sabatinaram sobre se os americanos estavam prontos para ser um parceiro firme em um momento de crise.

Hillary deparou-se com fortes evidências do "déficit de confiança" que se amplia entre os dois países, agora unidos na luta contra o extremismo religioso. "Que garantia os americanos podem dar de que podemos confiar em vocês?", perguntou um aluno durante um encontro informal entre Hillary e o público, na Universidade de Lahore.

Hillary, que tentou usar sua influência pessoal para superar um crescente sentimento antiamericano no Paquistão, repetiu sua convicção de que os interesses comuns dos dois países superavam suas diferenças. "Minha mensagem é a de que não é assim que deveria ser. Não podemos deixar uma minoria, nos dois países, determinar nossa relação."

A chegada de Hillary ao Paquistão, na quarta-feira, foi ofuscada por uma enorme explosão que atingiu um mercado na cidade de Peshawar. Foi um dos maiores ataques de militantes islâmicos que querem desestabilizar o país.

Hillary encorajou a juventude do país a permanecer firme contra o extremismo religioso, dizendo que ele ameaça tudo o que americanos e paquistaneses prezam. Os universitários a bombardearam com perguntas sobre a aproximação entre EUA e Índia - rival do Paquistão. Ela teve de responder também sobre o uso de aviões não tripulados para atacar alvos no Paquistão e se os EUA apoiariam um julgamento por traição do ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf.

Algumas das perguntas mais duras foram sobre a Lei Kerry-Lugar, que visa a triplicar a ajuda americana ao Paquistão para cerca de US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos, mas que contém condições que muitos paquistaneses consideram uma afronta a sua soberania.

Hillary disse que as condições são apenas uma medição de eficácia, mas admitiu que os EUA não souberam comunicar bem suas intenções. Embora reconhecesse os problemas entre os dois países, ela pediu paciência, citando a sua decisão de participar do governo do presidente Barack Obama. "O que temos juntos é maior do que aquilo que nos dividia", disse Hillary, referindo-se a sua relação com Obama. "É isso o que sinto sobre os EUA e o Paquistão."

PROMESSAS AMERICANAS

US$ 125 milhões

para melhorar o fornecimento de eletricidade

US$ 85 milhões

para um fundo público de combate à pobreza

US$ 45 milhões

para a educação superior

US$ 7 bilhões

será o valor da ajuda dos EUA ao Paquistão nos próximos 5 anos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.