Jovens gays usam menos preservativo, diz estudo

Trabalho do Ministério da Saúde ajuda a explicar por que há mais casos de aids por transmissão homossexual que hetero

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Estudo feito pelo Ministério da Saúde revela que jovens gays usam menos preservativo que os jovens em geral. O trabalho, conduzido em dez cidades brasileiras e coordenado pela pesquisadora Lígia Kerr, mostra que 53,9% dos gays entre 13 a 24 anos usaram camisinha na primeira relação sexual, índice abaixo dos 62,3% registrados entre homens em geral, na mesma faixa etária.

Nas relações com parceiros fixos, os porcentuais também são mais baixos entre jovens gays: 29,3% usam camisinha, enquanto entre jovens em geral a média é de 34,6%. Os únicos índices semelhantes entre as duas populações são o de uso de camisinha com parceiros casuais ? 54,3% dos gays entre 13 e 24 anos usam contra 57% dos jovens em geral.

Os números ajudam a explicar recentes dados epidemiológicos divulgados pelo governo. Entre jovens de 13 a 19 anos há mais casos de aids por transmissão homossexual (33,5%) que heterossexual (28,3%). Nas dez cidades analisadas, a taxa de prevalência do HIV entre gays com mais de 18 anos foi de 10,5%. Índice muito acima do que é estimado na população masculina brasileira de 15 a 49 anos, de 0,8%.

"São faixas etárias diferentes, mesmo assim, dá uma boa dimensão do quanto gays estão mais expostos ao vírus", afirma a coordenadora do Departamento de DST Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Mariangela Simão.

Grupo de risco. Apesar do maior risco, Mariangela enfatiza que população gay não pode ser chamada de grupo de risco. "A aids não está restrita a alguns grupos, ocorre em toda população." O comportamento de maior risco entre jovens gays destoa de outros dados do trabalho. O estudo indica que a população gay é, em geral, mais bem informada, procura mais centros de saúde para fazer testes de HIV e ter acesso a preservativos.

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