Álbum de família
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JOVENS SE ESPANTAM COM A MUDANÇA

Eles não fizeram exames de proficiência linguística

Davi Lira, O Estado de S.Paulo

02 de março de 2013 | 02h02

Cerca de 9,7 mil estudantes das áreas prioritárias, especialmente dos cursos de Engenharia, que participavam da seleção para bolsas em universidades de Portugal - o segundo país que tem mais bolsistas, atrás apenas dos Estados Unidos - foram surpreendidos ontem ao receberem um e-mail da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes), outra administradora do Ciência sem Fronteiras.

A mensagem os informou de que, por "possuírem desempenho acadêmico compatível com o perfil de excelência exigido pelo programa", poderiam transferir sua candidatura para Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália, Canadá, Irlanda, Itália, França ou Alemanha, onde há mais universidades de excelência internacional.

Para esses estudantes, no entanto, não foi exigido a comprovação do nível de conhecimento do idioma estrangeiro. Praticamente nenhum deles fez os exames de certificação que até então eram exigidos para os outros candidatos inscritos nesses editais.

No comunicado, a Capes esclarece, no entanto, que esses candidatos poderiam ter acesso a "uma bolsa de estudo adicional de até seis meses para aprendizagem do idioma do país de destino".

Mudanças como essa estão deixando muitos estudantes insatisfeitos, especialmente aqueles que comprovaram devidamente o nível de proficiência na língua estrangeira para esses países. Até os que foram contemplados com a mudança se dizem "cheios de dúvidas". 

"O e-mail que recebi ontem de madrugada não foi muito claro. Não sei se a minha candidatura para Portugal permaneceria válida se eu escolhesse uma bolsa na Grã-Bretanha", diz Mário Henrique, de 20 anos, estudante do curso de Engenharia de Teleinformática da Universidade Federal do Ceará. Henrique não chegou a fazer fez nenhum exame que avaliasse seu nível de conhecimento desse idioma, mas diz que foi uma "surpresa boa".

Consultada, a Capes informou que os estudantes contactados apresentaram pontuação acima de 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que "essas novas concessões ocorrerão sem prejuízo das seleções em andamento para esses países". Questionada sobre o período do curso de imersão, respondeu que "com base em evidências, é possível alcançar proficiência linguística condizente com as atividades acadêmicas da graduação". / D.L. e O.B.

Confira mais informações na nota da Capes enviada ao Estado

A Capes informa que 9.691 candidatos ao programa Ciência sem Fronteiras para estudos em Portugal apresentaram pontuação acima de 600 pontos no exame Enem, demonstrando, portanto, qualificação condizente com os critérios do Programa.Por essa razão, a Capes está encaminhando consulta àqueles  considerados elegíveis para conhecer o número de candidatos que aceitam terem suas inscrições transferidas para os Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, ou Irlanda. A partir deste levantamento, serão feitas negociações com os parceiros estrangeiros para a alocação nas respectivas instituições de destino.  Cabe ressaltar que essas novas concessões serão adicionais e ocorrerão sem prejuízo das seleções em andamento das chamadas específicas para esses países.

A realização de curso de idioma no país de destino por um período de até 6 meses, em tempo integral,  visa permitir àqueles que ainda não tenham o nível de proficiência linguística necessário,  a possibilidade de imersão de forma eficiente e rápida no aprendizado do idioma estrangeiro antes do início do curso. Esse período foi definido com base  em evidências de que é possível alcançar proficiência linguística condizente com as atividades acadêmicas voltadas para o nível de graduação, sobretudo nas áreas tecnológicas e outras científicas.

ATUALIZADA ÀS 18h30

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