Judeus recuperam maior sinagoga da Alemanha

Reabertura teve a presença do último rabino da sinagoga antes do Holocausto

Efe,

31 de agosto de 2007 | 19h54

A comunidade judaica da Alemanha recuperou um de seus símbolos destruídos no Holocausto, com areinauguração da sinagoga de Rykestrasse de Berlim, a maior do país, que será seguida pela abertura do primeiro grande centro ortodoxo hebraico na capital alemã.   A Torá entrou novamente no templo - que havia sido transformado pelos nazistas em estábulo para cavalos - entre salmos e na presença de Leo Trepp, o último rabino desta sinagoga antes do "shoá" ('desastre' em hebraico), que agora tem 94 anos e usa cadeira de rodas.   A presença de Trepp, sobrevivente do Holocausto, realçava a solenidade e a dimensão simbólica do ato, no qual o governo alemãofoi representado pelo ministro do Interior, Wolfgang Schäuble.   O templo de Rykestrasse, inaugurado em 1904, no coração do bairro de Prenzlauer Berg, recuperou seu brilho após três anos de trabalhos de restauração, que custaram cerca de € 5 milhões.   Dois arquitetos, Kay Zareh e Ruth Golan, reconstruíram o interior do local com base em fotos em preto e branco tiradas antes dachamada "Noite dos Vidros Quebrados", em 9 de novembro de 1938, quando a maioria das sinagogas do país foi queimada.      O templo de Rykestrasse não foi reduzido a cinzas, como outros, já que ficava entre imóveis de "arianos" e temia-se que o fogo pudesse atingi-los. No entanto, seu interior ficou todo destruído.      Agora, o templo foi reaberto procurando ter a maior semelhança possível com a imagem que tinha há mais de cem anos, com exceção de determinadas licenças arquitetônica para permitir a ampliação da capacidade do local, para 1.200 pessoas.      "Berlim volta a ter a maior comunidade judaica da Alemanha. É lógico que tenha também o maior centro", disse Hermann Simon, diretor do Centrum Judaicum.   Dos 173 mil judeus que moravam em Berlim antes da chegada de Hitler ao poder, restaram apenas 6 mil ao fim da Segunda Guerra Mundial. Nos últimos anos, o número de judeus na cidade chegou a 12 mil, com a entrada de judeus procedentes do Leste Europeu após a queda da Cortina de Ferro.      A inauguração da sinagoga, localizada entre cafés e locais de moda que se concentram na vizinha Kollwitzplatz, é um passo para a normalização da presença dos judeus em Berlim, e marca o início da Jornada Cultural Judaica, que será realizada até o dia 9 de setembro.

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