Juiz australiano aprova extradição de suspeito de crimes nazistas

Nascido na Hungria, Charles Zentai, 86 anos, é acusado de espancar jovem até a morte.

Da BBC Brasil, BBC

20 de agosto de 2008 | 19h00

Um tribunal australiano determinou que um homem de 86 anos pode ser extraditado para a Hungria para responder a acusações de que ele teria cometido crimes no país durante a Segunda Guerra Mundial. Charles Zentai é acusado de espancar até a morte um adolescente judeu em um quartel militar em Budapeste, em 1944, quando servia no Exército húngaro. O jovem Peter Balazs teria se negado a usar uma estrela amarela que o identificava como judeu.Zentai, que emigrou para a Austrália nos anos 50, nega as alegações contra ele.Se for mandado de volta para a Europa, ele será o primeiro australiano a ser extraditado por crimes de guerra.Zentai está na lista do Centro Simon Wiesenthal dos dez criminosos nazistas mais procurados, acusados de "perseguições e assassinatos de judeus em Budapeste em 1944", diz o centro.O juiz de Perth entendeu que o caso de Zentai preenche as exigências do ato de extradição da Austrália e do seu tratado sobre o assunto com a Hungria. Os advogados de Zentai dizem que vão apelar da decisão.FiançaO juiz inicialmente ordenou que Zentai ficasse sob custódia policial, mas uma decisão posterior de um juiz federal permitiu que ele fosse solto mediante pagamento de uma fiança de 50 mil dólares australianos (cerca de R$ 69 mil) sob condição de que entregasse o seu passaporte.O filho de Zentai, Ernie Steiner, disse que a família apelará da decisão e fará todo o possível para revertê-la. "Nós temos outras vias para provar sua inocência, por meio de petições ao Ministério do Interior e também ao procurador-geral. Mas nós vamos usar o sistema legal, cada oportunidade que esteja disponível."Se o recurso de Zentai não for aceito, a decisão final de enviá-lo ou não de volta à Hungria caberá ao governo australiano. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.