Juiz é preso acusado de ligação com atentado no Paraná

Magistrado estaria envolvido no ataque feito à casa e aos carros do juiz federal Luiz Carlos Canalli

Elvis Pereira e Elder Ogliari , estadao.com.br e O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 09h16

Policiais federais prenderam no sábado o juiz da 2ª Vara da Justiça Federal em Umuarama (PR), Jail Benites de Azambuja. A prisão temporária foi decretada em razão do suposto envolvimento deles no atentado realizado contra o juiz Luiz Carlos Canalli, titular da 1ª Vara Federal e diretor do Fórum da Justiça Federal na cidade. O inquérito corre sob sigilo de justiça, mas há informações de que Azambuja também seria acusado de ter forjado um atentado contra ele próprio em 28 de fevereiro deste ano. A determinação para a prisão foi dada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em Porto Alegre. As autoridades responsáveis pelas investigações não comentaram os casos nesta segunda-feira, 29, alegando o sigilo. Apenas foram confirmadas as prisões do juiz e de seu jardineiro, Adriano Roberto Vieira, de 28 anos, que está na delegacia de polícia em Umuarama. Ele é acusado de porte ilegal de arma e de ter dado os tiros contra a casa de Canalli. Em depoimento, assumiu a autoria e disse que agiu sem conhecimento do juiz. Azambuja foi conduzido para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), da Polícia Civil, em Curitiba, que tem condições melhores de carceragem. No início da manhã do último dia 19, a casa e dois carros de Canalli foram atingidos por vários tiros. As investigações levaram à prisão, sábado, do juiz Azambuja. Ele estava fora de casa e, quando chegou, por volta de 13h30, recebeu voz de prisão e foi conduzido a Curitiba. Seu jardineiro, que às vezes servia como motorista da família, Adriano Vieira, acabou preso em Porto Camargo, município próximo, quando pescava. Segundo o advogado do jardineiro, Antonio Mossurunga Moraes Filho, em depoimento ele assumiu o atentado contra o juiz Canalli e inocentou Azambuja. "Afirmou que o juiz (Azambuja) não sabia de nada e que ele estaria bêbado quando deu os tiros", acentuou. Em trecho do depoimento repassado pelo advogado, o rapaz disse que o juiz teria comentado que "se alguém atirasse contra a casa do dr. Canalis, o foco das atenções sobre ele (dr. Jail) seriam desviados (diminuiria) e por isso ele, Adriano, resolveu ir na casa do dr. Luiz Carlos Canalis disparar os tiros". O próprio advogado do jardineiro disse que não acredita nessa versão e que o juiz negou esse comentário em conversa com a mulher. Em fevereiro deste ano, o carro utilizado por Azambuja recebeu seis tiros de pistola, sem que houvesse feridos. Dias depois, ele decretou a prisão de 47 pessoas, entre elas policiais civis e militares, sob suspeita de envolvimento no atentado. Elas foram liberadas na semana seguinte por falta de provas.  Agora surgem suspeitas de que o atentado poderia ter sido forjado para que o juiz tivesse uma justificativa que embasasse o pedido para as prisões, pois estaria investigando essas pessoas por suposta participação em contrabando. Em razão disso, há informações não confirmadas de que o TRF4 analisava um pedido para que Azambuja fosse removido de Umuarama. "Não sou o advogado dele (Azambuja), mas é um pecado o que estão fazendo com ele", afirmou Moraes Filho. A polícia chegou ao motorista e jardineiro do juiz após examinar imagens do circuito interno de uma das casas próximas. Ele estaria com o carro de Azambuja, pois levava as crianças para a escola pela manhã. Três dias depois do atentado, ele teria dito para Azambuja que era o responsável pelos tiros e que teria usado uma moto. Ao depor, ele ressaltou que, como não tem moto, o juiz "não deve ter acreditado". O rapaz afirmou que a arma usada no atentado era dele mesmo e foi vendida depois. A que portava quando foi preso seria do juiz, o que não foi confirmado. Ele disse que a pegou sem conhecimento de Azambuja. O advogado do juiz estava em reunião e não pode ser ouvido.

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