Juiz manda polícia desarmar fazendeiros e MST em AL

Decisão foi adotada após confronto em uma tentativa de ocupação por cerca de 40 famílias sem-terra

RICARDO RODRIGUES, Agencia Estado

28 Fevereiro 2008 | 19h32

O juiz-substituto da Comarca de Piranhas, em Alagoas, John Silas da Silva, expediu nesta quinta-feira, 28, mandados de busca e apreensão e autorizou a Polícia Civil fazer uma devassa em fazendas, acampamentos e assentamentos de sem-terra à procura de armas na região. A decisão foi adotada após o confronto ocorrido ontem, em uma tentativa de ocupação por cerca de 40 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) à fazenda Lagoa Comprida, localizada entre as cidades de Piranhas e Olho d''Água do Casado.O grupo foi recebido à bala por jagunços armados de espingardas e pistolas e oito sem-terra ficaram feridos, um em estado grave. O proprietário da fazenda de 600 hectares, Jorge Fortes Gonçalves, de 58 anos, foi preso e continua detido em uma das celas da Delegacia Regional de Delmiro Gouveia, a cerca de 300 quilômetros de Maceió. Em depoimento, o fazendeiro alegou ter sido agredido pelos sem-terra, mas negou ter contratado jagunços para revidar à ocupação. Segundo juiz John Silas, "o confronto acirrou os ânimos entre fazendeiros e sem-terra". "Não podemos permitir que pessoas armadas estejam a serviço de fazendeiros para intimidar, ameaçar e atirar contra trabalhadores sem-terra. As invasões de fazenda precisam ser tratadas no âmbito da Justiça e da Polícia Militar, que tem um Centro de Gerenciamento de Crise para resolver pacificamente esse tipo de conflito", afirmou o magistrado.

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