Juiz mantém presos só 3 de 11 acusados da Providência

Ministério Público Federal vai recorrer contra a decisão; para juiz, militares 'não apresentam ameaça'

Pedro Dantas, Agência Estado

08 Dezembro 2008 | 18h40

O Ministério Público Federal (MPF) vai recorrer contra a decisão da Justiça Federal que libertou na semana passada três soldados envolvidos na morte dos três jovens do Morro da Providência. As vítimas foram torturadas e assassinadas após serem entregues por uma guarnição de 11 militares a traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi (zona norte) em julho deste ano. Como a Justiça já havia revogado as prisões de outros cinco militares, agora apenas três dos 11 acusados permanecem presos. "Ao contrário dos primeiros libertados, os militares que foram soltos tiveram participação direta no crime, pois eles desceram do caminhão e também entregaram os jovens aos traficantes", disse hoje a advogada Kátia Tavares, que atua como assistente da promotoria do MPF. Foram libertados os soldados Julio Almeida Ré, Rafael Cunha Costa Sá e Sidney de Barros. Em sua decisão, o juiz Erik Navarro Wolkart, da 7ª Vara Federal Criminal, afirma que, de acordo com os depoimentos, os acusados não tiveram participação direta na entrega dos jovens, pois "mantiveram-se afastados, junto ao veículo" e livres não representam uma ameaça às testemunhas. Comandante da guarnição e apontado como o mentor da entrega dos jovens aos criminosos, o tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade permanece preso junto com o sargento Leandro Maia e o soldado Fabiano Elói dos Santos. O juiz indeferiu a revogação da prisão do tenente "em razão do seu poder de comando e conseqüente domínio do fato" e também manteve Maia e Santos presos por entender que ambos tiveram uma "atuação mais insinuante e ligada diretamente à conduta de Vinícius".

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