Juiz obriga UFMG a convocar candidatos de última hora

Uma nova decisão judicial, desta vez da 6ª Vara da Justiça Federal do Maranhão, provocou uma reviravolta no vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) a menos de 24 horas da realização da segunda etapa, na tarde de hoje. Depois de anunciar na manhã de ontem que não iria mais convocar mais de três mil candidatos que tiveram nota zero ou ficaram sem nota em pelo menos uma das provas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a universidade foi obrigada a fazer a convocação às pressas.

EDUARDO KATTAH, Agência Estado

23 de janeiro de 2011 | 18h53

A liminar coletiva deferida pela 16ª Vara Federal de Minas Gerais havia sido derrubada na noite da última sexta-feira pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas na noite de ontem, conforme a UFMG, o juiz federal substituto da 6ª Vara da Justiça Federal do Maranhão, Rubem Lima de Paula Filho, emitiu medida cautelar que obrigou a instituição a convocar 3.326 candidatos para fazer as provas da segunda etapa.

A UFMG informou que uma equipe de técnicos do Centro de Computação (Cecom) foi designada para enviar, por e-mail, a convocação aos alunos beneficiados pela liminar. A confirmação também podia ser obtida por meio da página eletrônica da Comissão Permanente do Vestibular (Copeve). Mas o comparecimento foi bastante pequeno.

De acordo com Vera Resende, coordenadora da Comissão Permanente do vestibular da UFMG, apenas 5% do contingente convocado de última hora compareceu hoje para o primeiro dia de provas da segunda etapa. Entre os mais de 19 mil candidatos que já haviam recebido os comprovantes de inscrição, o índice de ausência foi de 20%.

Esta é a primeira vez que a universidade utiliza a nota do Enem como primeira etapa de seu vestibular, o maior do Estado. "Me sinto prejudicada. O Enem só serviu para aumentar a concorrência. A estreia não foi positiva. A gente estuda já sabendo que terá problema", reclamou Ana Beatriz Morado, de 26 anos, candidata a uma vaga no curso de Letras.

"O Enem só serviu para aumentar a concorrência, por esse lado é negativo", reforçou Marco Túlio de Paula Lopes, de 19 anos, que tentava uma vaga no curso de Engenharia de Produção. Mas para Asafe Gonçalves, de 23 anos, o exame nacional ainda merece um "voto de confiança". "Acho válido (a UFMG) adotar. Toda mudança no começo é complicada. O Enem é mais abrangente, é uma forma mais inclusiva", disse o jovem, que também fazia vestibular para o curso de Letras.

Outros 19 candidatos também adquiriram o direito de fazer as provas da segunda etapa da UFMG amparados em liminares individuais. As 6.640 vagas oferecidas pela instituição estão divididas em 75 cursos.

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