Juiz processa De la Rúa por mortes em protestos de 2001

Justiça embarga bens do ex-presidente da Argentina no valor de R$ 11,5 milhões.

Marcia Carmo, BBC

23 de outubro de 2007 | 16h00

A Justiça argentina decidiu abrir um processo contra o ex-presidente Fernando de la Rúa por cinco mortes que ocorreram no dia de sua renúncia, em 20 de dezembro de 2001, nas proximidades da Casa Rosada (sede do governo argentino).A iniciativa foi do juiz federal Claudio Bonadio, que acusou De la Rúa de "homicídio culposo", além de responsabilizá-lo pelos mais de cem feridos nos confrontos entre policiais e manifestantes.Bonadio também embargou os bens do ex-presidente em um valor de 20 milhões de pesos (cerca de R$ 11,5 milhões). As informações foram divulgadas nesta terça-feira pela agência estatal de notícias Telam.De la Rúa governou o país entre dezembro de 1999 e dezembro de 2001, quando deixou a Casa Rosada de helicóptero, dois anos antes de concluir seu mandato.Poucas horas antes, ele e o então ministro da Economia, Domingo Cavallo, tinham determinado o "corralito" (como ficou conhecido o bloqueio dos depósitos bancários que marcou a pior crise política, econômica e social da Argentina, segundo historiadores e analistas políticos).Pelas cinco mortes, já foram processados e cumpriram prisão preventiva, entre outros, o ex-secretário de Segurança do governo De la Rúa, Enrique Mathov, e o comandante da Polícia, Rubén Santos.No total, entre os dias 19 e 20 de dezembro, segundo dados da polícia e da imprensa argentina, ocorreram 33 mortes.Se o processo contra De la Rúa for adiante, o ex-presidente pode acabar preso, mas os advogados de acusação reconhecem que ele ainda poderá recorrer à Camara Federal de Apelações.De acordo com os advogados, a mesma denúncia contra De la Rúa havia sido recusada duas vezes por uma outra juíza, mas há três meses o caso passou para o juiz Claudio Bonadio, que decidiu levar o processo adiante.O ex-presidente já enfrenta outros processos na Justiça argentina, incluindo as acusações de ter contratado empregados para sua casa com dinheiro público e de ter mandado prender manifestantes durante o estado de sítio que decretou, horas antes de renúnciar. Em diferentes ocasiões, De la Rúa afirmou que houve um "complô" contra ele para que terminasse o mandato antes da hora.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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