Juiz vê algumas similaridades entre PCC e máfia italiana

Parentes de presos ligados ao PCC dizem que a facção aprendeu a se estruturar nos mesmos moldes da Camorra

Josmar Jozino, do Jornal da Tarde,

26 Janeiro 2009 | 09h04

O juiz aposentado Walter Fanganiello Maierovitch, ex-secretário nacional Antidrogas, vê algumas similaridades operacionais e organizacionais entre a máfia italiana e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Como revelou reportagem publicada no domingo, parentes de presos ligados ao PCC afirmam que a facção criminosa paulista aprendeu a se estruturar nos mesmos moldes da Camorra com dois integrantes da máfia napolitana. Os irmãos Bruno e Renato Torsi ficaram presos no anexo da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, berço do Primeiro Comando da Capital.Maierovitch ressaltou, no entanto, que tanto o PCC como o Comando Vermelho (CV), do Rio, são grupos mais rudimentares. "Essas facções não têm transnacionalidade nem o requinte da máfia. Não têm status internacional", disse o magistrado.Os irmãos camorristas tiveram contato com Mizael Aparecido da Silva, o Miza, um dos oito fundadores do PCC. Os ensinamentos de Bruno e Renato ajudaram Mizael a redigir o estatuto do Primeiro Comando da Capital, com 16 artigos. Bruno e Renato foram extraditados em meados de 1995 para a Itália. Da Penitenciária de Rebibbia, em Roma, enviaram cartas e cartões-postais para Mizael.Maierovitch explicou que, diferentemente da máfia, o PCC, o CV e outras facções não reciclam dinheiro fora do Brasil. "As organizações brasileiras não têm hotéis internacionais. Elas não entram na Bolsa de Frankfurt, como fazem os chefões mafiosos."O ex-secretário afirmou, porém, que a Camorra e o PCC têm algumas similaridades. Segundo Maierovitch, os dois grupos controlam territórios, impõem a lei do silêncio, difundem o medo e submetem até mesmo seus associados a extorsões de dinheiro.Ele explicou que os camorristas estão divididos em clãs, não têm governo e atuam como se fossem uma federação. Já o PCC impõe as regras de dentro da cadeia. De acordo com Maierovitch, os clãs da Camorra costumam entrar em guerra quando disputam o mesmo negócio, mas se unem diante de alguma dificuldade, como falta de drogas. Também se unem para enfrentar o Estado. Nesse sentido, Camorra e PCC seriam parecidos. O PCC já deu mostras de seu poder de força quando comandou rebeliões em série e coordenou ataques às forças de segurança.var keywords = "";

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