Toussaint Kluiters/AP
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Julgado em Haia, Ratko Mladic provoca sobreviventes de Srebrenica

General servo-bósnio passou a mão pelo pescoço como quem corta a garganta, no primeiro dia do julgamento por genocídio

REUTERS

16 Maio 2012 | 10h15

HAIA - O general servo-bósnio Ratko Mladic provocou os sobreviventes do massacre de Srebrenica, passando a mão pelo pescoço como quem corta uma garganta, no primeiro dia do seu julgamento por genocídio, nesta quarta-feira.

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Mladic, de 70 anos, entrou no plenário do tribunal de Haia batendo palmas e fazendo sinal de positivo. Ele pode ser condenado à prisão perpétua se for considerado o principal responsável pela morte de 8.000 homens e meninos muçulmanos desarmados durante a Guerra da Bósnia, em 1995, naquele que foi o pior massacre na Europa desde o fim da 2a Guerra Mundial.

Na galeria lotada, a mãe de uma vítima sussurrou várias vezes a palavra "urubu", enquanto os promotores iniciavam a leitura das acusações.

Mais tarde, Mladic encarou uma muçulmana da plateia e passou a mão sobre a garganta, num gesto que levou o juiz Alphons Orie a interromper a sessão e adverti-lo contra "interações inapropriadas".

Mladic, usando terno escuro e gravata, tomava notas enquanto escutava o promotor Dermot Groome dizer que o réu e outros servo-bósnios dividiram o território da antiga Iugoslávia conforme critérios étnicos, implementando um plano comum para exterminar os não-sérvios.

"“A promotoria apresentará evidências mostrando além de qualquer dúvida razoável a mão do sr. Mladic em cada um desses crimes", disse ele.

Mais de 20 mães de vítimas do massacre se reuniram em frente ao tribunal. Algumas levavam cartazes, como o que dizia: "Mladic, o maior assassino de gente inocente e crianças".

Kada Hotic, que perdeu filho, marido e dois irmãos no massacre, disse temer que Mladic não viva o suficiente para receber o veredicto, a exemplo do que aconteceu com o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, que morreu durante seu julgamento.

Mladic é o último protagonista das guerras balcânicas dos anos 1990 a ser julgado no Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia, com sede em Haia.

Mladic, que foi preso em maio de 2011 após passar 16 anos foragido, qualifica as acusações de "monstruosas", e diz estar doente demais para resistir ao julgamento. A corte considerou que ele se declarou inocente.

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