Jun Sakamoto

Sushi

03 de dezembro de 2009 | 15h35

Anna Angotti & Demian Takahashi: Da outra vez em que estivemos lá, encaramos o balcão e enfrentamos o já folclórico mau humor do Jun Sakamoto. E saímos com a certeza de que tínhamos comido o melhor sushi do Brasil, das Américas até. Dessa vez, pelas regras do Prêmio, tivemos que sentar à mesa. Estranhamente, os sushis estavam menores, com fatias mais finas de peixe. Tudo muito fresco, o arroz com tempero e cozimento exatos. Mas estava faltando algo... Seria a pincelada personalizada de shoyu que só rola no balcão? Ou os masoquistas aqui sentiram falta mesmo foi daquele olhar severo do mestre Jun?Blog Alho, Passas e Maçãs: Camões (que não era japonês) já nos explicou que "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades." Algo no entanto sempre permanece, e isso Camões (que nunca comeu um sushi) não contou: a precisão dos sushis servidos no restaurante de Jun Sakamoto. Pedimos pares de atum, toro, linguado e enguia. Em todos, o arroz saboroso deslizava pela boca e aquecia as papilas gustativas uma a uma. Aquecia a alma. O de atum estava ótimo. Mas os demais eram ainda melhores, um caso de polícia de tão bons: o de linguado era incrível, o de toro exibia o melhor atum de todos os que comemos nesse nipo-rali e o de enguia mereceria uma placa de rua. Ganha o voto com várias nadadeiras de vantagem sobre os demais.Braulio Pasmanik: Quanto mais simples a categoria, mais difícil é julgar. O preparo de um sushi exige tanta especialização, que resta a um jurado fechar os olhos, abrir a boca e ver até onde vai a viagem ao Japão. No Jun aconteceu uma coisa engraçada! Eu havia acabado de sair de um dos restaurantes japoneses indicados nesta categoria, entusiasmado com o sushi de maguro que havia degustado e achando que seria o melhor. Sentei e pedi os mesmos sushis. Quando o prato de louça cinza chegou à mesa com as fatias brancas, rubras, róseas e a lula riscadinha com a faca, percebi na hora, porque o Jun tem a reputação que tem. E enquanto comia, lembrei do saudoso Takatomo Hachinoe e a viagem não foi ao Japão, mas ao Komazushi,restaurante de tantas boas memórias. Uma lágrima saltou literalmente de meus olhos e o voto estava dado!Jacques Trefois: Casa elegante e muito movimentada. Peixes de primeira qualidade, arroz morno, excelente e bem leve. O resultado e um só: grandes sushis.Janaina Fidalgo: Páreo difícil... Tem sushis perfeitos, com arroz na temperatura correta e que se mantém firme só até chegar à boca, onde aos poucos se solta e "contamina" cada parte. E os peixes impecavelmente cortados?Luiz Américo Camargo: Deve ser o peixe, cortado com precisão, escolhido com apuro. Não, é o arroz: o sabor, a temperatura, a textura. Mas não, acho que é a modelagem perfeita, o tamanho ideal para ser abocanhado num só golpe e mastigado devidamente. Ou será a quantidade exata de shoyu? Quer saber? É tudo isso. Seja trabalhando com torô (era um dos poucos que tinha o produto nos dias de apuração), com robalo, ou com lula, o restaurante mostrou que niguiris podem e devem ser delicados - mas também desavergonhadamente gostosos.Luiz Horta: Foi perfeito, uma noite em que tudo estava sensacional.Neide Rigo: O arroz translúcido é grudado, mas não grudento e se mantém até chegar à boca. Com tempero agridoce bem dosado. O sushi de linguado veio perfumado com shissô e casquinha de limão que parecia ser yuzu. Patrícia Ferraz: Estava excelente. O arroz com boa textura, viscoso e os peixes muito frescos. O sushi de lula com sal negro do Havaí estava notável. O de vieiras, outra iguaria. Mas na combinação de qualidade e surpresa votei no Shin Zushi.Roberto Smeraldi: Até hoje nunca consegui comer, neste restaurante, o sushi feito pelo chef. Portanto não sei se faz diferença. Mas desta vez a experiência foi muito positiva. Inclusive, palmas para o arroz. Como destaque, cavalinha gorda e vieira. Pena que a concorrência deste ano, nesta categoria, era notável.Silvio Giannini: Seguindo o script definido, solicitei alguns sushis, dentre eles o toro. "Infelizmente, não temos". Elogiada a sinceridade, aceitei de bom grado o tyotoro. Para minha decepção, o sushi foi servido com uma espécie de nervura na carne, que empanou seu brilho. Apesar de saboroso, manifestei ao sushiman de plantão a minha decepção. Ele indicou que a peça tinha mesmo este pequeno problema e declinei de repetir. Não foi desta vez, definitivamente, que deixei o Sakamoto maravilhado.

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