Jurada que discutiu caso com ré via Facebook 'pode pegar 2 anos de prisão'

Conversa online quebrou regras de tribunal britânico e representa 'desprezo à lei', diz promotor

BBC Brasil, BBC

14 Junho 2011 | 08h33

MANCHESTER - Uma jurada que contatou uma ré pelo Facebook pode ser condenada a até dois anos de prisão por quebrar as regras do tribunal, no que se acredita ser uma situação legal inédita na Grã-Bretanha.

Joanne Fraill, a jurada, e a ré, Jamie Sewart, estiveram em contato durante um julgamento que já durava dez semanas em Manchester, no norte da Inglaterra, no ano passado.

Detalhes da conversa via Facebook não foram revelados na abertura do julgamento, nesta terça-feira em Londres.

Sewart, de 36 anos, está sendo acusada de pedir informações a Fraill, 40, sobre questões ainda pendentes no caso.

Quando o contato ocorreu, Sewart já havia sido absolvida das acusações, mas o júri ainda estava deliberando sobre o veredicto de outros réus.

"Aquele contato e a discussão desrespeitaram diretamente as repetidas instruções do juiz no sentido de que o júri não deveria discutir o caso com ninguém além do próprio grupo", disse o promotor Angus McCullough. "É um desprezo pela lei."

Fraill é acusada ainda de pesquisar na internet informações sobre os réus, quando a lei é clara ao determinar que os jurados só podem levar em conta o que lhes for apresentado oficialmente pelas partes no tribunal.

No ano passado, o presidente do Judiciário de Inglaterra e País de Gales, barão Igor Judge, disse que um julgamento foi anulado porque jurados tinham pesquisado sobre o caso na internet.

As irregularidades envolvendo o julgamento em Manchester levaram o júri a ser dispensado quando a Justiça já havia gasto cerca de 6 milhões de libras (aproximadamente R$ 16 milhões) no processo.

Sob alegação de má conduta do júri, um homem preso por conta do caso está apelando contra a condenação. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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