Júri dá veredicto 'inconclusivo' para inquérito de Jean Charles

Advogado da família diz que entre opções possíveis esse foi o melhor veredicto possível.

Da BBC Brasil, BBC

12 Dezembro 2008 | 11h42

O júri do inquérito que investiga as circunstâncias da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes em Londres deu o veredicto de inconclusivo ao caso, depois de passar sete semanas reunido em deliberações. Um advogado da família diz que o veredicto foi o melhor que a família podia esperar, depois das limitações impostas pelo juiz-legista. Na semana passada, Michael Wright, o legista que preside o inquérito, havia dito que o júri não poderia considerar o veredicto de "homicídio injustificado" ("unlawful killing"). Segundo Wright, não há provas suficientes apontando que qualquer um dos envolvidos tenha matado Jean Charles de forma ilegal e pediu que os jurados "deixem qualquer emoção de lado" na decisão. Com isso, os 11 jurados tiveram duas opções: que houve "lawful killing" (ou seja, que a morte ocorreu como decorrência de ações que não feriram a lei; morte não-criminosa) ou optar ainda por um "open verdict" (veredicto inconcluso). Em protesto contra o anúncio do legista na quinta-feira passada, os familiares de Jean Charles que acompanhavam o inquérito das tribunas nas salas do estádio de críquete de Oval, em Londres, se retiraram do local. Este é o quinto inquérito sobre a morte de Jean Charles realizado na Grã-Bretanha. O júri, composto por 11 pessoas, ouviu o depoimento de cem testemunhas desde que o inquérito começou, em setembro, em Londres. O brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia de Londres em uma estação de metrô da capital britânica, em julho de 2005, ao ser confundido com um suspeito de tentativas de atentado ocorridas no dia anterior. Em julgamentos anteriores, a polícia recebeu uma multa de 175 mil libras, mas nenhum envolvido foi considerado culpado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.