Jurunas criam seu próprio internetês

A língua dos jurunas só ganhou uma versão escrita em meados dos anos 90, mas já tem seu internetês. A adaptação foi feita pelos próprios indígenas, entusiastas do MSN, que têm acesso à web via rádio em aldeias do Parque do Xingu (MT). "De uma cultura oral, eles caíram de cabeça no digital", diz a linguista Cristina Fargetti, da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp em Araraquara.

, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2011 | 00h00

Cristina fez a pesquisa que levou ao primeiro registro do alfabeto juruna - hoje a língua escrita é usada em escolas e até em livros. Um trabalho minucioso, porque o juruna, como o mandarim, é tonal: a ênfase dada à sílaba altera o sentido da palavra. Conforme o tom, o termo "a"a, por exemplo, pode significar morcego, pênis ou bocejo.

No caso do internetês, a adaptação ocorreu porque a pesquisa foi feita numa época em que o uso do computador não era tão disseminado. Na sua proposta de ortografia, Cristina sugeriu usar o til em todas as vogais nasais. Isso é possível na máquina de escrever, mas não no computador, que só admite o sinal em dois casos: ã e õ. "Eles decidiram usar a letra n depois das vogais para substituir o til. Perguntei se era uma reforma ortográfica. Disseram que não: "É só para a internet"."

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