Justiça aceita denúncia contra 17 por fraude em leite

Os interrogatórios foram marcados para os dias 24, 25 e 26 de junho

Elvis Pereira, estadao.com.br

27 de maio de 2008 | 19h42

A Justiça Federal aceitou parcialmente a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF), no último dia 19, contra 18 acusados de participar do esquema de adulteração de leite da Cooperativa Agropecuária do Vale do Rio Grande (Copervale), em Uberaba, Minas Gerais. A decisão foi divulgada nesta terça-feira, 27. Dezessete suspeitos tornaram-se réus, entre eles o diretor-presidente da cooperativa, Luiz Gualberto Ribeiro Ferreira. Os interrogatórios foram marcados para os dias 24, 25 e 26 de junho.  O juiz da 1ª Vara Federal de Uberaba, Lelis Gonçalves Souza, acolheu apenas a denúncia por adulteração de alimentos. Na avaliação dele, não havia indícios suficientes para justificar a abertura de ação por formação de quadrilha. "Em vários depoimentos constantes dos autos, o que se vê são indícios de que os funcionários participavam da adulteração do leite tão somente cumprindo ordens de seus superiores, não agindo de forma contrária por simples receio de perder o emprego", afirmou.  O juiz atendeu ainda ao pedido do MPF para que fosse arquivado o processo contra os suspeitos José Afonso de Freitas, Luiz Ricardo Freire Resende, Flávia Correia Pereira e Wellington Teodoro Rosa, por não haver indícios de que tenham envolvimento no caso. Elaine Cristina de Jesus também escapou do processo. Para Souza, ela era nova na cooperativa e não foi encontrado nos autos nada que indicasse sua participação no esquema.  A fraude foi descoberta na Operação Ouro Branco, da Polícia Federal (PF), em outubro de 2007. Na ocasião, houve o cumprimento de 18 mandados de prisão temporária. Seis meses depois, a PF conclui a investigação. Em seguida, o MPF, após solicitar o arquivamento da ação contra quatro suspeitos, apresentou a denúncia contra 18 pessoas.  Na denúncia, constava que, por cerca de dois anos, a Coopervale adicionou ao leite substâncias nocivas à saúde. Era inserida uma solução química composta por soda cáustica, ácido cítrico, citrato de sódio, sal, açúcar e água. O objetivo seria aumentar o volume e estender o prazo de validade do produto. Seriam modificados por dia 120 mil litros de leite longa vida integral. O criador da fórmula seria o engenheiro químico Pedro Renato Borges.

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