Justiça acusa Chirac de desvio de recursos

Crime foi cometido há 14 anos, quando ele era prefeito de Paris

Andrei Netto, CORRESPONDENTE, PARIS, O Estadao de S.Paulo

31 Outubro 2009 | 00h00

Pela primeira vez desde a adoção da atual Constituição francesa, em 1958, um ex-chefe de Estado responderá na Justiça por acusações de envolvimento em crimes administrativos. Jacques Chirac, duas vezes presidente da França, foi formalmente acusado ontem por "desvio de recursos públicos" e "abuso de confiança" durante os 18 anos em que comandou a prefeitura de Paris.

Ao longo dos dois mandatos nos quais esteve à frente do Palácio do Eliseu, entre 1995 e 2007, o então chefe de Estado esteve imune aos tribunais. Agora, ele será julgado.

De acordo com a juíza de instrução do caso, Xavière Simeoni, 21 postos de trabalho criados para "encarregados de missões", entre 1992 e 1995, durante a última de suas administrações em Paris, foram considerados fictícios.

Seus salários ou serviços beneficiariam, segundo a investigação, o partido de Chirac, a União pela República (RPR) - do qual surgiu a União por um Movimento Popular (UMP) de seu sucessor, Nicolas Sarkozy, atual presidente francês.

A investigação por desvio de verbas havia sido iniciada em novembro de 2007, seis meses após sua saída da presidência. Além de Chirac, outras nove pessoas foram acusadas, entre elas dois ex-diretores de gabinete do então prefeito, e o neto do ex-presidente Charles de Gaulle, Jean de Gaulle.

Chirac afirmou, em nota, ter recebido a notícia com "serenidade" e considerou as acusações "fictícias". O ex-presidente pode ser condenado a 10 anos de prisão e US$ 230 mil de multa pelo desvio de verbas públicas, além de mais três anos de prisão e outros US$ 552 mil pelo crime de abuso de confiança.

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