Justiça da Austrália marca julgamento de policiais acusados de matar brasileiro

O estudante Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, foi morto em 2012 durante perseguição policial. Ele teria sido alvo de até 17 disparos de Taser, uma pistola de eletrochoque usada pela polícia

JORGE BECHARA, Agência Estado

17 Junho 2014 | 18h29

SYDNEY - A juíza Jane Culver decidiu, em sessão especial realizada nesta terça-feira, 17, no Tribunal Central de Sidney, que os quatro policiais envolvidos na morte de Roberto Laudisio Curti, em março de 2012, serão julgados neste ano, de 3 a 28 de novembro. Apesar da insistência dos advogados em adiar o julgamento para o próximo ano, a magistrada lembrou "o grande interesse público e a seriedade do caso" e exigiu que preparassem a defesa dos acusados de acordo com sua decisão. Curti foi morto no centro de Sydney após ter sido alvo de até 17 disparos de Taser, uma pistola de eletrochoque usada pela polícia australiana. 

Foram quatro horas de discussão entre a juíza, o promotor Gareth Christofi e os quatro advogados que representam os policiais Eric Lim, Damien Ralph, Scott Edmondson e Daniel Barling, acusados de agressão.

Após o tribunal ter investigado a morte, o comitê examinou a conduta policial e a promotoria pública recomendou que os policiais fossem julgados. Nesse processo, a polícia sofreu quatro derrotas.

Tentativa de adiamento. Os advogados alegaram que as instituições tiveram o tempo que precisaram para preparar as acusações e que eles agora necessitavam de um prazo maior para organizarem a defesa. A promotoria também afirmou não estar preparada para um julgamento antes de outubro.

Em resposta ao argumento de que a defesa não participou dos processos e que os advogados têm compromissos agendados, a juíza disse que "as cópias dos relatórios estão disponíveis" e que, por causa da importância do caso, "outros compromissos deveriam ser cancelados".

"Um processo que está sendo prorrogado desde 2012 necessita uma solução rápida", afirmou. "A disponibilidade de cada um não é determinante. O julgamento está marcado e os acusados podem ter outros advogados, se necessário."

Uma das razões para a demora do julgamento foi o fato de a promotoria ter insistido em acessar os depoimentos que os policiais deram em investigações anteriores sob a condição de que as informações não seriam usadas contra eles. 

A magistrada lembrou também que mais tempo poderia afetar a memória das testemunhas. Nas quatro semanas de julgamento, várias pessoas que depuseram na investigação serão questionadas novamente, incluindo os acusados, que se declaram inocentes e continuam suspensos de suas atividades.

Domingos Laudisio, tio de Roberto Laudisio Curti que acompanha a investigação da morte há dois anos em Sydney, diz que "a Justiça talvez será feita pelos atos barbáricos perpetrados por esses indivíduos, apesar de não estarem sendo julgados por tortura e homicídio culposo, os crimes mais sérios que cometeram".

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