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Justiça decreta prisão de empresário que matou manifestante em Ribeirão Preto

Alexsandro Ichisato de Azevedo avançou com o carro sobre um grupo de manifestantes, matando um jovem; o empresário atua no ramo de revenda de veículos e é lutador de jiu-jitsu

René Moreira, especial para o Estado de S. Paulo,

21 de junho de 2013 | 18h45

Texto atualizado às 19h45

 

RIBEIRÃO PRETO - A Justiça de Ribeirão Preto decretou, nesta sexta-feira, 21, a prisão do empresário Alexsandro Ishisato de Azevedo, de 37 anos, procurado por atropelar 12 pessoas durante a manifestação contra a tarifa de ônibus nessa quinta-feira, 20. Ele está foragido e é procurado por um homicídio e quatro tentativas de homicídio (veja vídeo abaixo). Ele teria fugido da cidade de ônibus.

O empresário foi indiciado por um homicídio e quatro tentativas de homicídio doloso - quando há a intenção de matar. Se condenado, pode pegar mais de 20 anos de cadeia. A expectativa era que se apresentasse à polícia nesta sexta, 21, o que acabou não ocorrendo.

O carro de Azevedo, uma Range Rover Preta, foi localizado no condomínio de luxo em que reside. O veículo tinha marcas de sangue, foi periciada e mandada para Araraquara (SP).  

Azevedo atua no ramo de revenda de veículos e também teria uma academia de artes marciais onde seria professor. Lutador de jiu-jitsu, suas páginas nas redes sociais foram removidas horas após o atropelamento. Na Justiça, Azevedo já responde a processos criminais, alguns deles relacionados à violência. Em vídeos feitos pelos manifestantes, ele discute e acelera o carro duas vezes para passar pelo bloqueio na Avenida João Fiúza, em vez de retornar. Na terceira vez, ele acelera e atropela quem está pela frente.

O estudante Marcos Delefrate, de 18 anos, morreu no local com fraturas e traumatismo craniano. Três pessoas chegaram a ser internadas, mas somente uma mulher permanece no hospital. No cruzamento onde as vítimas foram atropeladas, foram colocadas flores, além de cartazes, velas, mensagens e uma bandeira do Brasil. No total, 12 pessoas foram atingidas, mas a maioria sofreu ferimentos leves.

 

Delefrate morava em Ribeirão, local onde era aluno de um curso na área de máquinas agrícolas, mesmo segmento em que trabalhava. Ele foi velado numa igreja de Ribeirão e sepultado à tarde. Sua família doou suas córneas para o Banco de Órgãos do Hospital das Clínicas. O enterro foi marcado por muita revolta e indignação. Mais de 200 pessoas estiveram presentes, muitas delas vestindo camisas com a palavra "luto". A despedida foi marcada por aplausos e o hino nacional.

A Prefeitura de Ribeirão Preto decretou luto de três dias pela morte do jovem. "A tragédia trouxe indignação e tristeza para todos. Uma manifestação pacífica e organizada, que tinha tudo para marcar a história de nossa cidade e servir de exemplo para a democracia do País, deixou uma grande cicatriz em todos nós", disse a prefeita Darcy Vera (PSD).

Novo protesto. O atropelamento ocorreu após o motorista ficar irritado com o fechamento da via e avançar sobre os manifestantes. Alguns filmaram toda a ação com celulares e o condutor fugiu em seguida. As vítimas estavam na esquina da Avenida Professor João Fiúsa com a Avenida Adolfo Molina, na zona sul de Ribeirão Preto.

Cerca de 25 mil pessoas, segundo informações da Polícia Militar, participaram do protesto. Após a morte do estudante, uma nova manifestação foi agendada para esta noite. O movimento desta sexta-feira reuniu 500 pessoas, segundo a PM, e foi organizado por amigos do rapaz. Eles saíram da Esplanada do Theatro Pedro II, na área central da cidade, terminando no local da tragédia. No caminho chegaram a fechar avenidas, mas sem que houvesse problemas. 

 

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