Justiça espanhola condena 21 por atentados em Madri

Oito foram absolvidos; juiz descartou envolvimento do ETA nos ataques de 2004.

Anelise Infante, BBC

31 de outubro de 2007 | 13h45

A justiça espanhola condenou nesta quarta-feira 21 pessoas das 28 que estavam sendo julgadas por participação nos atentados de 11 de março de 2004 em trens de Madri, nos quais 191 pessoas morreram e mais de 1,8 mil ficaram feridas. No veredicto do Supremo Tribunal espanhol, chamado de Audiência Nacional, os três principais acusados - os marroquinos Jamal Zougam e Othman El-Gnaoui e o espanhol José Emilio Suárez Trashorras -, receberam, cada um, penas que somam cerca de 40 mil anos de cadeia. No entanto, segundo as leis espanholas, o máximo de tempo que cada um poderá passar atrás das grades será 40 anos.O juiz Javier Gómez Bermúdez demorou 1h44 para ler as sentenças, com explicações sobre as provas e definição das penas para os acusados. A decisão chegou à Audiência Nacional arquivada em um pendrive pendurado em um cordão no pescoço do juiz.A decisão concede às vítimas indenizações que variam entre 30 mil e 1,5 milhão de euros (entre R$ 80 mil e R$ 4 milhões). Sete sobreviventes receberão a indenização máxima e uma delas, Laura Vega García, que permanece em estado vegetativo, ganhará mais um milhão de euros para cuidados médicos.O julgamento começou no dia 15 de fevereiro deste ano, e a Audiência Nacional precisou de três meses para preparar a sentença.A primeira explicação do juiz foi sobre porque foi descartada a autoria ou participação do grupo separatista basco ETA nos atentados. "Em nove informes sobre hipotéticos contatos do ETA com membros de organizações terroristas islâmicas, nenhuma das provas corrobora a teoria da defesa"; afirmou o juiz na leitura do resumo do sumário.Nas quase 700 páginas do processo constam depoimentos de 170 testemunhas (inclusive três membros do ETA presos por outros crimes), oito informes de perícia especializada em explosivos e 218 impressões digitais coletadas nas investigações.A prova mais destacada pela Justiça foi uma mochila-bomba que não chegou a ser detonada. Foi ela que permitiu a comprovação de que "todos os detonadores eram de um mesmo fabricante" (segundo o resumo do juiz) e o que acabou levando a outras pistas. A primeira repercussão da sentença foi a decepção das vítimas pela absolvição de oito indiciados (sete deles absolvidos nesta quarta-feira e um deles, anteriormente), principalmente Osmar El-Sayed, conhecido como "o Egípcio", até então considerado um dos organizadores dos ataques.A promotoria e os 25 advogados da acusação particular pediam 39 mil anos de prisão para ele por ser considerado o cérebro dos atentados de Madri.El-Sabed assistiu à leitura da sentença por meio da internet de um presídio na Itália, onde cumpre pena por participação em organização extremista.O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, disse que "a justiça foi feita" e assim dá por terminado o debate com a oposição que apontava o ETA como autor dos atentados com a intenção de manipular as eleições.O partido que governava em 2004, Partido Popular, afirmou que o massacre cometido poucos dias antes das eleições visava derrubar o governo e favorecer os socialistas, que acabaram vencendo.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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