Justiça 'está de joelhos' diante do MST, diz fazendeiro

O fazendeiro Cleudir Macedo, dono da Fazenda Iara, em Euclides da Cunha Paulista, no Pontal do Paranapanema, criticou a demora da Justiça em fazer cumprir a reintegração de posse de uma área invadida em sua propriedade. Ele teve um filho preso após conflito com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). "A Justiça e a sociedade estão de joelhos diante do MST", afirmou. O confronto que levou à prisão do filho do fazendeiro aconteceu na madrugada do dia 16 e deixou ferido o sem-terra Márcio Fernandes, atingido por um tiro na perna. "Se a Justiça tivesse agido com rapidez, nada teria acontecido", disse Macedo. O mandado para a retirada dos manifestantes está nas mãos de um oficial de Justiça desde o dia 14.O advogado Rodrigo Macedo, filho do fazendeiro, e o empregado da fazenda Lucivaldo Vialli, acusados pelos sem-terra de terem feito os disparos, continuavam presos até o fim da tarde de hoje na Cadeia Pública de Presidente Venceslau. A fazenda foi ocupada durante o carnaval vermelho, liderado pelo dissidente do MST José Rainha Júnior. No sábado, os sem-terra decidiram invadir também a sede da propriedade. "Eles cercaram a casa encapuzados e alguns amigos da família que estavam lá tiveram de fugir", relata o fazendeiro. O filho de Macedo, autor de pedido de reintegração de posse da área onde os sem-terra estavam acampados, foi até o local para negociar com o movimento. De acordo com Macedo, Rodrigo e o empregado foram recebidos a tiros. "Eles atiraram para o alto e depois renderam os dois e mantiveram em cárcere privado. Além disso tomaram as bebidas que tinha na casa", conta Macedo. José Rainha contestou a versão do fazendeiro. "O filho do dono chegou lá atirando, atingiu um acampado e o pessoal apenas o dominou e entregou para a polícia." Macedo, que também é advogado, disse que os sem-terra contaram à polícia que invadiram a fazenda por ordem de José Rainha. "Não entendo porque esse homem, que tem várias condenações, não é preso. Por que se ajoelham diante de um facínora?" O fazendeiro pediu o relaxamento da prisão dos acusados, mas o juiz do plantão judiciário negou. "Estou aguardando o prazo para reiterar o pedido, caso contrário recorrerei ao tribunal", afirmou.Fato IsoladoO conflito gerou um clima de tensão no Pontal, onde seis das 19 fazendas invadidas desde a semana do carnaval continuavam ocupadas na manhã de hoje. Rainha disse que as liminares de reintegração de posse estão sendo atendidas. Segundo ele, o que ocorreu na Fazenda Iara foi um fato isolado. A Justiça tinha determinado a desocupação da fazenda, mas, de acordo com o líder, os sem-terra não tinham sido notificados pelo oficial de Justiça. "Essa idéia de fazer o despejo na marra já é uma coisa superada pela maioria dos fazendeiros." Segundo ele, todas as invasões foram "ordeiras" para evitar que houvesse acirramento nos ânimos. "As pessoas não quebraram, não roubaram e não fizeram nada além da ocupação pacífica." A Fazenda Iara tem 550 hectares e 800 cabeças de gado. De acordo com Rainha, a propriedade faz parte de uma área maior, em processo de desapropriação para a reforma agrária. "As terras foram vistoriadas, mas não houve acordo sobre o pagamento." O fazendeiro, no entanto, alega que a fazenda foi julgada particular, o que dificulta eventual desapropriação.

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