Justiça sugere aumento de 9% a motoristas em BH

A população de Belo Horizonte vai ter que continuar a conviver pelo menos mais dois dias com os transtornos causados pela greve dos trabalhadores no transporte coletivo da capital iniciada na segunda-feira. Na noite de hoje, a Justiça do Trabalho sugeriu que os empregadores concedam aumento de 9% para motoristas, cobradores e pessoal administrativo, mas tanto trabalhadores quanto patrões pediram prazo até quinta-feira para se posicionarem.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

13 Março 2012 | 22h10

Essa é a primeira possibilidade de pôr fim à greve, já que todas as reuniões realizadas anteriormente, inclusive a que ocorreu pela manhã na Superintendência Regional do Trabalho, terminaram em impasse. Os trabalhadores reivindicavam 49% de aumento, índice que reduziram para 20%, mas mantiveram as demais exigências: 30 folhas de tíquete-alimentação de R$ 15, banheiros femininos nos pontos finais e participação nos lucros e resultados (PLR). Na audiência coletiva no TRT, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) ofereceu aumento de 6%.

A audiência coletiva da noite de ontem, iniciada com mais de uma hora de atraso, foi marcada por muito bate-boca entre representantes dos trabalhadores e das empresas concessionárias do transporte coletivo na cidade. Diante do impasse, o desembargador Marcus Moura Ferreira reuniu-se separadamente com cada um e encerrou a audiência com a proposta que ainda será submetida a assembleia pelos trabalhadores.

Para tentar evitar o caos que tomou conta de Belo Horizonte na segunda-feira, quando quase todos os ônibus na cidade ficaram parados, o magistrado acatou pedido do Setra-BH e expediu liminar determinando que os trabalhadores mantivessem 50% da frota circulando em horários normais e 70% em horários de pico - entre 6h e 9h e das 17h às 20h. Já a entidade patronal deve garantir "os veículos e demais meios materiais necessários" ao cumprimento das escalas.

Segundo a BHTrans, empresa que gerencia o transporte coletivo na capital, nas estações São Gabriel, Vilarinho e Venda Nova o índice determinado pela Justiça foi mantido. No entanto, nas estações Barreiro e Diamante apenas 44% e 16% das viagens previstas, respectivamente, foram cumpridas. O descumprimento da determinação judicial implica multa diária de R$ 30 mil. As estações fazem a ligação entre várias linhas de ônibus e o metrô.

Hoje, a Polícia Militar voltou a reforçar o policiamento nas garagens para garantir a saída de ônibus. De acordo com a PM, não foram registradas ocorrências relativas à greve durante o dia. Na segunda-feira, dois trabalhadores foram presos acusados de furtarem chaves para impedir a circulação de veículo e outro foi preso porque estaria atirando pedras em coletivos que circulavam.

Mais conteúdo sobre:
greve ônibus justiça

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.