Karadzic vivia com falsa identidade e era médico alternativo

Governo sérvio diz que procurado por genocídio morava em Belgrado e, com longa barba, estava irreconhecível

BBC Brasil

22 de julho de 2008 | 09h00

O ex-líder sérvio da Bósnia Radovan Karadzic, cuja captura pela acusação de crimes de guerra e genocídio foi anunciada na segunda-feira, viveu disfarçado na capital da Sérvia, Belgrado, no período em que esteve foragido, segundo informações do governo sérvio. De acordo com o ministro sérvio para relações com o Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, Rasim Ljajic, Karadzic praticava medicina alternativa em uma clínica particular, sob o nome falso de Dragan Dabic, e usava um disfarce "muito convincente", com uma longa barba branca.   Veja também: Sérvia manda extraditar para tribunal da ONU Prisão de acusado é histórica, diz ONU Quem é Radovan Karadzic Sarajevo comemora prisão de Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Em uma entrevista coletiva à imprensa, Ljajic disse que Karadzic usava documentos falsos e se fazia passar por um cidadão não-sérvio. "O fato de ele estar envolvido com medicina alternativa, ganhando seu dinheiro com a prática de medicina alternativa, mostra que ele trabalhava", disse Ljajic. "Ele estava trabalhando em uma clínica particular, e o último lugar em que morou foi Nova Belgrado", afirmou Ljajic.   Karadzic havia sido visto em público pela última vez em 1996, no leste da Bósnia. Até agora, acreditava-se que ele estava escondido em partes da Bósnia, de Montenegro e da Sérvia controladas por sérvios. "(Karadzic) andava por aí livremente, até aparecia em lugares públicos. As pessoas que alugaram o apartamento para ele não sabiam de sua verdadeira identidade", disse o procurador para crimes de guerra da Sérvia, Vladimir Vukcevic.   O governo sérvio informou que Karadzic foi preso na segunda-feira, perto de Belgrado, depois de quase 13 anos foragido. Em julho de 1995, ele foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia, em Haia, na Holanda, acusado de autorizar a morte de civis durante o cerco de Sarajevo, que durou 43 meses. Quatro meses depois, Karadzic foi indiciado por genocídio pela morte de cerca de 8 mil homens e meninos muçulmanos, depois que as forças de seu comandante militar, Ratko Mladic, tomaram uma área considerada segura pela ONU, Srebrenica, no leste da Bósnia.   Segundo o governo sérvio, algumas das pessoas que ajudaram Karadzic estavam sendo vigiadas havia algum tempo. O governo sérvio disse que não iria revelar mais detalhes sobre a operação que levou à captura de Karadzic para não colocar em risco os esforços para prender outros suspeitos de crimes de guerra ainda foragidos, entre eles Ratko Mladic.   De acordo com Vukcevic, um juiz ordenou a transferência de Karadzic para o tribunal em Haia. O advogado do ex-líder sérvio, Sveta Vujacic, disse que irá apelar da decisão, no prazo legal de três dias e também afirmou que a prisão de Karadzic foi feita de forma ilegal. "Ele me disse que as pessoas (que o prenderam) mostraram um distintivo da polícia e que depois ele foi levado a algum lugar e mantido em uma sala. E isso é simplesmente contra a lei", afirmou.   A mulher de Karadzic, Ljiljana Zelen-Karadzic, disse saber que "alguma coisa estava errada" quando o telefone tocou. "Eu estou chocada, confusa. Pelo menos agora nós sabemos que ele está vivo", afirmou.   BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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