Kátia Abreu, da CNA, e Paulo Adário, do Greenpeace, respondem 3 perguntas sobre o Código

 

, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

 

link Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA)

 

1. Qual sua avaliação do texto do Código Florestal aprovado pela Câmara?

O texto traz avanços enormes. Como a possibilidade de computar juntas a reserva legal e Áreas de Preservação Permanentes (APPs), o que vai aumentar a área produtiva nas propriedades em todo o País, especialmente nas pequenas. A isenção da reserva legal nas propriedades de até 4 módulos fiscais também ajuda sobretudo os pequenos produtores. Também vale destacar a consolidação das plantações em topos de morros. O produtor poderá continuar plantando em encostas, não será retirado de lá pelo órgão ambiental.

2. As modificações não podem gerar mais desmatamentos e ameaçar os compromissos ambientais assumidos pelo País?

O que o novo Código pretende é assegurar que 27% do território brasileiro seja ocupado por agricultura, o equivalente a 230 milhões de hectares. O Brasil já está no caminho de cumprir as metas climáticas que o presidente Lula firmou em Copenhague em 2009, que é de reduzir o desmatamento em 80% até 2020.

3.Mas estão ocorrendo novos desmatamentos em Mato Grosso, conforme mostraram os satélites do Inpe.

São oportunistas, que têm de ser fiscalizados pelo Ibama. Não apoiamos desmatamento a partir de 2008. / ANDREA VIALLI

 
link Paulo Adário, diretor da campanha Amazônia do Greenpeace

 

1. Qual sua avaliação do texto do Código Florestal aprovado pela Câmara?

O texto é um desastre para o Brasil. Não acatou as contribuições do governo, como o veto à anistia a quem desmatou até 2008. Numa visão geral, reduz a proteção ambiental no País todo.

2. O novo Código pode trazer mais desmatamento?

Quem respeitou a lei ambiental e quem devastou passam a ser tratados da mesma forma, o que é injusto e ruim para a democracia. Mato Grosso é um exemplo. O desmatamento vinha caindo por causa da intervenção do governo federal. O recente pico de desmate ocorreu não por uma alta do preço da soja ou da carne, mas em razão da expectativa de anistia.

3. Existe o risco de o novo Código ameaçar compromissos internacionais firmados pelo Brasil, nas áreas de clima e biodiversidade?

A situação fica muito complicada, porque em 2012 o País sediará a Rio+20, conferência da ONU que marca os 20 anos da Rio-92. Corremos o risco de mostrar ao mundo que não fizemos a lição de casa, pois é o desmatamento que mais contribui para a emissão de gases-estufa. A meta de biodiversidade firmada no Japão também fica comprometida, pois a redução das áreas de reserva legal levará à perda de espécies.

 

(Fotos: Beto Barata/AE e Reprodução)

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