Kirchner fará ajustes na economia antes da posse de Cristina, dizem analistas

Presidente argentino deverá adotar medidas como ajuste de preço das tarifas.

Marcia Carmo, BBC

29 de outubro de 2007 | 22h00

Um dia depois da eleição da primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner, da Frente para a Vitória, para a Presidência do país, a expectativa na Argentina é de que o presidente Néstor Kirchner adotará as primeiras medidas de ajuste da economia antes da posse de sua mulher, marcada para o dia 10 de dezembro. "O presidente Kirchner vai realizar uma série de ajustes, gradualmente, antes da chegada de Cristina à Casa Rosada", disse o analista econômico da TV TN (Todo Notícias), o jornalista Marcelo Bonelli. Baseando-se em fontes do governo, como afirmou, Bonelli destacou que o atual presidente deverá ajustar o preço das tarifas dos serviços públicos privatizados, como energia, para os argentinos com maior poder aquisitivo, excluindo os mais pobres desta medida. Kirchner tentará ainda, de acordo com o comentarista, avançar ou concluir as negociações da dívida argentina com o Clube de Paris, no valor aproximado de US$ 6 bilhões, em moratória desde a histórica crise política e econômica de 2001, e ainda manterá o valor da moeda americana em três pesos. "A primeira etapa das reformas será feita pelo presidente Kirchner e a segunda caberá a Cristina", afirmou o comentarista de política-econômica Luis San Martin, da rádio América. "A primeira parte é econômica e a segunda, que corresponderá a Cristina, será a conclusão destas medidas e também o fortalecimento das instituições do país", completou. A expectativa, afirmou Bonelli, inclui ainda a redução do gasto público a partir de agora. O diretor do programa de instituições políticas do Centro de Implementação de Políticas Públicas (Cippec), o cientista político Antonio Cicioni, observou que o gasto público argentino subiu 45% este ano frente ao ano pasado. "Neste período, houve uma explosão do gasto devido, por exemplo, ao aumento das aposentadorias e dos subsídios ao setor privado, que abordaram os setores de energia, transporte e até a (produção de) batata", afirmou Cicioni. Para o especialista, os preços dos commodities no mercado mundial são hoje amplamente favoráveis para a Argentina. "E se os preços internacionais, especialmente dos grãos, continuarem neste ritmo atual, os argentinos não vão perceber o ajuste do governo", disse. Segundo ele, o setor agrícola paga um imposto extra pelas exportações, o que ajudou o governo a ter superávit fiscal e a pagar suas contas internas. Portanto, prevê o analista, se os preços das commodities continuarem em alta, a tendência será de que o governo da presidente eleita tenha caixa suficiente para evitar o aumento dos impostos pagos pelos argentinos em geral. "O setor agrícola é o nosso petróleo", disse Cicioni. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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