Kirchner quer intervenção de Francisco na crise das Malvinas

Solicitação, feita em audiência privada ocorrida no Vaticano, é a primeira de um chefe de Estado ao pontífice

ANDREI NETTO, ENVIADO ESPECIAL / ROMA, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2013 | 02h06

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, pediu ontem a intervenção do papa Francisco na crise diplomática em torno das Ilhas Malvinas, hoje em mãos da Grã-Bretanha. A solicitação foi feita em audiência privada realizada no Vaticano, a primeira de um chefe de Estado ao novo pontífice. O encontro ocorreu no final da manhã e marcou a aproximação entre os dois argentinos, que mantinham uma relação tensa quando Jorge Bergoglio era arcebispo de Buenos Aires, até a última semana.

Cristina chegou ontem a Roma para participar da missa inaugural do pontificado de Francisco, hoje. No encontro, parte filmado por um cinegrafista, as duas personalidades foram mostradas em momentos de sorrisos e confraternização.

A presidente presenteou com cuias de mate o papa, que demonstrou satisfação com o presente. Depois, os dois almoçaram juntos no Vaticano, mas não fizeram nenhuma declaração conjunta à imprensa.

O único pronunciamento foi feito três horas mais tarde, por Cristina. No hotel onde está hospedada, em Roma, ela fez uma declaração de 20 minutos em que narrou o encontro e se disse satisfeita pela escolha de Bergoglio. Ao fim, revelou ter solicitado a intervenção do papa no impasse com a Grã-Bretanha em torno das Ilhas Malvinas. "Pedi (a intervenção) para evitar problemas que podem surgir a partir da militarização da Grã-Bretanha no Atlântico Sul. Queremos um diálogo e é por isso que pedimos ao papa para intervir."

A presidente lembrou que em 1978, quando Argentina e Chile quase entraram em conflito, João Paulo II intermediou um entendimento. "Agora a situação é diferente porque a Grã-Bretanha e a Argentina são dois países democráticos, com governos eleitos pelo povo."

Até a semana passada, a presidente e o então cardeal Bergoglio mantinham uma relação glacial em Buenos Aires. O arcebispo criticou em diferentes oportunidades a demagogia dos governos de Cristina e de seu antecessor e marido Nestor Kirchner. De outro lado, a Casa Rosada aprovou no medidas progressistas reprovadas pela Igreja Católica, como o casamento homossexual, em 2010.

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