Lá fora o carro mudou. Aqui, resta esperar

De uma década para cá, a oferta de carros nacionais e importados multiplicou-se no Brasil. E ainda assim tem gente insatisfeita com algumas novidades que estão à venda na Europa e não foram atualizadas aqui, caso de Volkswagen Golf e Audi A3. "Eu quero comprar o novo Golf europeu, mas mandar trazer por importador independente não vai compensar. Gosto muito de carros, mas não de fazer mau negócio", afirma o administrador Danny Dayan, de 23 anos, que possui uma versão 2002. "Esse é o meu terceiro Golf e agora não tenho mais opção, uma vez que não há modelo mais atual que o meu", reclama. A Volkswagen já anunciou que a quinta geração do Golf, lançada em agosto do ano passado em alguns países da Europa, não será exportada para o Brasil. Também informou que a nova plataforma do carro não será montada no Paraná, onde atualmente o Golf é produzido. No entanto, para se manter no mercado, já que suas vendas andam em baixa - no ano passado a montadora vendeu apenas 15 mil unidades -, o Golf brasileiro receberá mudanças estéticas (chamada de "quarta geração e meia") previstas para a linha 2005. A idéia da montadora, segundo algumas fontes, é atualizar o visual do hatch, mas não da mesma maneira que o modelo europeu. Este, no entanto, será produzido em 2005 no México, para abastecer o mercado americano. Sem o novo modelo, Dayan pensa trocar seu Golf por outro mais recente ou adquirir uma Parati nova. O administrador diz que acompanha pela internet a evolução do modelo. "É uma pena que a Volks só nos permita ver o carro de longe, por meio de fotos", diz. Descontente também está o administrador Eduardo Manchon, de 22 anos. Ele queria trocar seu Astra 2.0 99 por um Audi A3, mas está indeciso, uma vez que a montadora irá encerrar sua produção no Paraná em 2005. Ele espera que a nova versão, totalmente reestilizada e lançada no ano passado, seja importada, mas teme que virá cara. "É claro que o carro vai chegar custando muito mais que o atual", lamenta. O novo A3 foi lançado na Europa só na versão de três portas e a de cinco deve iniciar vendas este ano. ImportadorTer um carro "inédito" no Brasil significa pagar cerca de duas vezes o seu valor devido aos impostos cobrados, além do frete e, se necessária, a homologação do carro no País. A importadora Forest Trade, por exemplo, cobra pela quinta geração do Golf 1.6 de três portas, com ar-condicionado, direção hidráulica e trio elétrico cerca de US$ 35 mil (em torno de R$ 100 mil). Já o novo Audi 1.6 de três portas com os itens semelhantes aos do Golf custaria por volta de US$ 38 mil (R$ 110 mil). E há versões mais sofisticadas com teto solar, bancos de couro e mais potentes, com motor V6, elevando o preço a US$ 60 mil (equivalente a R$ 174 mil). Carros da Renault e GM também não foram atualizados Além de Volkswagen, com o Golf, e Audi, com o A3, Renault e GM não se mostram preocupadas em investir agora no Brasil com modelos intermediários mais modernos vendidos na Europa. A marca de origem francesa não tem planos de importar ou produzir tão cedo no País os novos Scénic e Mégane - este último já atualizado há dois anos na Europa. O novo Astra alemão foi lançado no Salão de Frankfurt, em setembro do ano passado. O Astra brasileiro, por sua vez, já havia passado por mudanças estéticas na linha 2003, o que adiou a reformulação total do modelo por aqui. Quem quiser comprar o reestilizado vai ter de esperar: a nova versão deverá ser produzida no Brasil, mas só em 2005. O mesmo não deverá ocorrer com o novo Vectra, que se transformou em um novo carro na Europa em meados de 2002. Em vez de investir em um modelo mais atual do veterano sedã, cuja versão da alemã Opel ficou maior e mais luxuosa, a GM do Brasil desenvolverá um novo sedã a partir do atual Astra europeu, que virá para brigar com mais força com Corolla e Civic.

Agencia Estado,

08 de março de 2004 | 11h39

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