Laboratório esquenta partículas à temperatura de estrelas

Um acelerador de partículas nos Laboratórios Nacionais Sandia aqueceu várias partículas carregadas a um recorde de 2 bilhões de graus Celsius, temperatura acima daquela encontrada dentro de estrelas. Cientistas que trabalham na máquina Z de Sandia disseram que o feito também revelou um novo fenômeno que poderia eventualmente fazer futuras centrais de fusão nuclear mais baratas e menores do que se baseassem na física previamente conhecida."No começo, nós não estávamos acreditando", disse Chris Deeney, diretor do projeto. "Nós repetimos o experimento diversas vezes para ter certeza de que tínhamos um resultado verdadeiro". O experimento de Sandia foi divulgado na edição de 24 de fevereiro da Physical Review Letters.A máquina Z de Sandia foi desenvolvida para gerar quantidades enormes de energia. Ela passa um impulso elétrico massivo que vaporiza instantaneamente fios de tungstênio e os transforma em uma nuvem de partículas superaquecidas e carregadas, conhecidas como plasma.Ao mesmo tempo, a máquina Z comprime o plasma em um poderoso campo magnético. Quase instantaneamente, as partículas se encontram em colisões que podem emitir temperaturas de milhões de graus. Os cientistas conseguiram aumentar a temperatura pra bilhões de graus realizando um processo que aumentou a distância em que os íons viajaram, dando a eles mais tempo para ganhar velocidade e, assim, energia.Mas o processo não foi o responsável por todo o calor gerado na colisão. Ele também não pode explicar por que as partículas de plasma não pararam de se mover depois de colidirem umas com as outras - por cerca de 10 bilionésimos de segundo, alguma energia desconhecida fez com que eles continuassem se atirando contra o campo magnético.Malcolm Haines, consultor de Sandia e físico na Faculdade Imperial em Londres, teorizou que a própria energia do campo magnético da máquina Z adicionou mais energia às partículas.O novo fenômeno poderia ser explorado na energia de fusão como o gatilho que desencadearia uma reação nuclear controlada pelo aquecimento de uma pequena quantidade de deutério ou trítio. É mais provável que esse seja mais eficiente que outros métodos propostos porque produz temperaturas mais altas enquanto requer menos adição de energia.

Agencia Estado,

10 de março de 2006 | 19h21

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