Laboratórios tiram emagrecedor do mercado

Decisão foi tomada por dois grandes fabricantes da sibutramina no Brasil antes de Anvisa decidir se proíbe ou não a venda do medicamento

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2011 | 00h00

Dois dos maiores fabricantes de sibutramina no Brasil já retiraram seus medicamentos do mercado voluntariamente, antes mesmo de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidir se proíbe ou não a venda no País.

 

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O laboratório Abbott, que fabricava o medicamento de referência, optou por retirar o emagrecedor do mercado brasileiro em novembro do ano passado, assim como fez nos EUA.

 

Foi a Abbott que encomendou o estudo Scout, que avaliou o risco do uso da sibutramina em cerca de 10 mil pacientes obesos com doença cardiovascular. Os resultados do estudo é que serviram de base para o relatório da Anvisa que recomenda a proibição da venda desse medicamento no País.

A Medley, laboratório líder em genéricos no Brasil, também decidiu encerrar a produção de sibutramina voluntariamente, em fevereiro deste ano, depois que a Anvisa sugeriu a retirada do mercado. Segundo a empresa, a decisão também foi tomada por causa dos resultados do estudo Scout.

Queda no consumo. A retirada da sibutramina do mercado e o aumento do controle na prescrição por parte da Anvisa têm um reflexo direto no consumo desse medicamento no País.

Dados da agência apontam que, em 2009, foram expedidas 4,9 milhões de receitas de inibidores de apetite no Brasil, sendo que 60% eram de sibutramina. Isso inclui medicamentos industrializados e manipulados.

Após a Anvisa aumentar o controle no tipo de receituário da sibutramina - mudou da classe simples para a especial - a prescrição de inibidores de apetite caiu cerca de 10%: foram 4,41 milhões de receituários.

A queda da sibutramina foi ainda mais drástica: 32%, de 2,95 milhões de receitas para 1,99 milhão. Outros inibidores de apetite compensaram a perda. A prescrição de anfepramona, por exemplo, cresceu 21% no período (de 1,08 milhão para 1,31 milhão). A prescrição de femproporex aumentou cerca de 29% (de 838 mil para 1,07 milhão).

A queda no consumo de remédios para emagrecer também foi constatada pela IMS Health, que é uma consultoria especializada no mercado farmacêutico. Segundo dados da empresa, entre abril de 2008 e abril de 2009 foram consumidas 9,88 milhões de unidades de drogas para emagrecer no País - o que inclui sibutramina, mazindol, femproporex e anfepramona.

No ano seguinte, foram consumidas 9,06 milhões de unidades, o que aponta ligeira queda. Após o aumento do controle, o consumo foi ainda menor: de abril de 2010 até abril deste ano foram consumidas 6,2 milhões unidades desses medicamentos, 31,26% menos que no ano anterior. Para o endocrinologista Walmir Coutinho, presidente da Associação Internacional de Estudo de Obesidade, a queda no consumo é reflexo do maior controle das drogas.

Outros laboratórios que também fabricam sibutramina, como a Germed, a Aché e a Eurofarma, continuam com o medicamento disponível no mercado, até que saia uma decisão definitiva da Anvisa. / COLABOROU KARINA TOLEDO

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