Lançamentos no Brasil

Libertação

, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2009 | 00h00

Sándor Márai

Companhia das Letras

152 págs., R$ 36,50

Indivíduo e sociedade em uma Hungria ocupada

Durante pouco mais de um mês, na passagem de 1944 para 1945, a jovem Erzsébet vê sua vida se transformar. Antes tranquila em suas "comodidades burguesas", ela é forçada ao confinamento num porão de Budapeste. Lá fora, o Exército soviético já cerca a cidade - mas a perseguição empreendida por fascistas parece apenas ter aumentado com a proximidade da derrota. Erzsébet conhece o medo, o frio, a fome. O que lhe importa, porém, é a segurança do pai, astrônomo que se opôs aos nazistas. Erzsébet é a protagonista deste romance (traduzido por Paulo Schiller), que acompanha sua busca pela liberdade fazendo paralelo entre seu dilema pessoal e o da própria Hungria do fim da 2ª Guerra Mundial.

Histórias Apócrifas

Karel Capek

Editora 34

180 págs., R$ 32

Absurdo e humor para refletir sobre o totalitarismo

Um crítico já comparou os textos do checo Karel Capek a esquetes da trupe inglesa de humor absurdo Monthy Python. E esta coletânea de seus contos ajuda a entender os motivos. Como teria sido o tribunal que condenou Prometeu? E um diálogo de um velho casal da Idade da Pedra, descontente com os rumos da humanidade? O que discutiam os soldados gregos nos intervalos do cerco de Troia? Ou ainda: como teria sido interpretado o milagre da multiplicação dos pães, realizado por Jesus Cristo, por um padeiro da Jerusalém de sua época? Ao recuperar episódios históricos, o autor busca, na verdade, falar de questões da primeira metade do século 20, como o totalitarismo e o preconceito. A tradução é de Aleksandar Jovanovi.

Rumo a Outro Verão

Janet Frame

Planeta

280 págs., R$ 49,90

Um pesadelo de 48 horas no interior da Inglaterra

Em resenha publicada no britânico The Guardian, Rachel Cooke define este livro como a "narrativa poética de um pesadelo de 48 horas". A protagonista vai passar um fim de semana no interior da Inglaterra, onde se depara com questões existenciais, delírios e, principalmente, uma sensação de não pertencer àquela paisagem, ansiando pela volta à sua Nova Zelândia natal. O livro, traduzido por Francisco José M. Couto e Éric Heneault, foi considerado pessoal demais pela autora e só pôde ser publicado após a sua morte, em 2004. Há muitos elementos autobiográficos - diagnosticada equivocadamente como esquizofrênica, Janet foi internada em um hospital psiquiátrico nos anos 50 e quase sofreu uma lobotomia.

Se Eu Fechar os Olhos Agora

Edney Silvestre

Record

304 págs., R$ 34,90

Estreia na ficção leva jornalista à década de 60

O jornalista mantém diálogo estreito com o ficcionista neste romance de estreia de Edney Silvestre. Como repórter, ele acompanhou alguns dos principais momentos da história mundial recente. E, em sua estreia na ficção, em Se Eu Fechar os Olhos Agora, a história e a política também comparecem como pano de fundo para uma trama de assassinato. No Brasil dos anos 60, em uma pequena cidade da antiga zona do café fluminense, dois meninos descobrem o corpo mutilado de uma mulher às margens de um lago em que costumam brincar. Descontentes com o trabalho da polícia, começam uma investigação por conta própria, ajudados por um ex-preso político da Era Vargas, que tem seus próprios interesses no crime.

Cinematógrafo

João do Rio

Academia Brasileira de Letras

272 págs., R$ 59

Crônicas flagram o Rio de Janeiro em transformação

Na apresentação deste volume, o poeta Lêdo Ivo relembra como o cinema era importante para João do Rio (1881-1921), que o considerava "o arrolador da vida atual, como a grande história visual do mundo", marcando uma das maiores "mudanças ocorridas no universo". Nas palavras de Ivo, "este livro de crônicas, escritas em 1908, é uma das referências dessa mudança, da passagem que gerou o Brasil de hoje e especialmente a hoje degradada e camelotizada cidade do Rio de Janeiro". Em suas crônicas, o jornalista, contista e teatrólogo João do Rio (pseudônimo de Paulo Barreto) comenta desde brigas de galo até as "aberrações da noite", retratando personagens que "não dormem e sob o abrigo da escuridão saciam os seus desejos perversos".

Tempos de Cabo

Paulo Vanzolini

Imprensa Oficial

72 págs., R$ 30

Causos e histórias do cabo Paulo Vanzolini

É possível que mesmo os ouvintes mais fiéis de canções como Ronda e Volta por Cima se surpreendam com a publicação desta edição fac-similar, que recupera um episódio pouco conhecido da vida do compositor e zoólogo Paulo Vanzolini: entre novembro de 1944 e novembro de 1945, ele serviu como cabo da Cavalaria do Exército. Durante seu período no quartel, escreveu histórias sobre desilusões amorosas, bailes, brigas no Bom Retiro, figuras da boemia paulistana. Elas se tornariam livro apenas mais tarde, quando, nos anos 70, o artista plástico Aldemir Martins criou ilustrações que as acompanhariam. O lançamento marca o início do projeto de reedição da obra completa de Vanzolini pela Imprensa Oficial.

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