Laureado usou descoberta para prolongar vida

Ralph Steinman usou conhecimentos sobre defesas do organismo na luta contra o câncer que o matou na sexta

O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2011 | 03h02

O prêmio máximo da pesquisa médica chegou demasiado tarde para um dos ganhadores do Nobel de Medicina, o biológico canadense Ralph Steinman. Ele foi reconhecido ontem pelo seu trabalho pioneiro sobre o sistema imunológico, mas morreu na sexta-feira, aos 68 anos, vítima de um tumor, sem saber que receberia o prêmio.

Steinman utilizou os conhecimentos que obteve sobre as defesas do organismo para prolongar sua própria vida durante os quatro anos de combate contra um câncer agressivo no pâncreas.

"Nós lhe dissemos: 'Espere até segunda-feira. Você precisa seguir em frente até receber o Nobel'", afirma Alexis Steinman, sua filha de 34 anos. Ele respondia aos parentes: "Vocês estão brincando comigo", embora soubesse que, nos anos anteriores, seu nome fora cogitado para o prêmio.

A Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, onde Steinman trabalhou, afirmou estar "alegre" com o reconhecimento. "Mas a notícia é agridoce, pois fomos informados na manhã de hoje (de ontem) que Ralph havia falecido", disse o presidente da universidade, Marc Tessier-Lavigne.

O Canadá, país de origem de Steinman, rendeu homenagem ao pesquisador, por suas "notáveis descobertas". "Graças à sua dedicação, expandiram-se os limites da ciência e da medicina", disse o primeiro-ministro Stephen Harper.

"Creio que é uma grande tragédia que (Steinman) não tenha vivido o suficiente para saber que ganhou o prêmio Nobel", disse Bruce Beutler, outro ganhador deste ano. Ele conhecia Steinman há quase 30 anos.

"Sempre foi otimista... mas era um homem muito humilde. Dizia: 'Vão eleger outro cientista'", recordou a filha. / AFP

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