Lei Áurea será exposta no Rio

Uma série de documentos que ajudam a traçar um panorama da história do País estará em exposição na mostra "Arquivos do Brasil, Memória do Mundo", que será inaugurada na sede do Arquivo Nacional, no centro do Rio de Janeiro, no próximo dia 26. A exibição, com mais de 400 documentos, reúne itens de 45 instituições brasileiras que possuem acervos reconhecidos pelo Programa Memórias do Mundo (Memory of the World), da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

HELOISA ARUTH STURM, Agência Estado

20 de fevereiro de 2013 | 19h52

Uma das principais peças da exposição é o original da Lei Áurea, que completa 125 anos no próximo dia 13 de maio. Assinada pela Princesa Isabel, a lei que aboliu a escravatura no Brasil é manuscrita em pergaminho e será mostrada em seu estojo original, feito de couro com detalhes em folha de ouro. "Ela foi feita mesmo para ser um documento-monumento", ressalta a curadora Denise de Morais Bastos, pesquisadora do núcleo de Pesquisa e Difusão do Arquivo Nacional. Mas, devido à sua raridade, a Lei ficará exposta somente durante os primeiros 15 dias da mostra, para não danificar as luminuras e os pigmentos da peça, e será substituída por um fac-símile que está sendo confeccionado no próprio Arquivo.

Tiradentes

Será mostrado também um dos nove volumes que compõem os Autos da Devassa, uma coletânea sobre a Inconfidência Mineira, movimento contrário à Coroa Portuguesa iniciado em 1789 pela elite local de Vila Rica, atual Ouro Preto. O documento escolhido para integrar a exposição é a sentença dada a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Assinada em dia 18 de abril de 1792, ela traz com detalhes a punição dada ao alferes, que foi morto por enforcamento três dias depois e teve seu corpo esquartejado e exposto em praça pública.

Dividida em nove módulos, a mostra reúne itens que vão do período colonial até o início do século 20. Ali estarão reproduções de atos da Câmara de Salvador sobre a chegada da família Real Portuguesa ao Brasil, o Dia do Fico e a Aclamação do Imperador. Há também um inventário sobre os locais de origem de alguns escravos e a reprodução das cicatrizes marcadas em seus corpos - tanto as tribais quanto as infligidas pelos senhores de engenho.

Iconografia

Projeções de fotos, filmes e desenhos de peças relacionadas aos povos indígenas e a políticas indigenistas também serão mostradas. Duas seções são dedicadas à participação do Brasil em guerras, como a do Paraguai, às rebeliões, como o movimento de Canudos, e à repressão às lutas políticas e sociais no País e na América Latina.

Há ainda reproduções de manuscritos de Machado de Assis e os exercícios e as pesquisas de linguagem feitas por Guimarães Rosa, além de partituras da ópera O Guarani, de Carlos Gomes. Um dos módulos é dedicado à cartografia e outro à ciência - o maior da exposição. Neste, é possível encontrar estudos dos séculos 18 ao 20, correspondências de pesquisadores célebres como o antropólogo francês e professor da Universidade de São Paulo (USP) Claude Lévi-Strauss, e reproduções do diário de viagens de D. Pedro II - são anotações de termos indígenas e desenhos feitos pelo próprio Imperador, um grande incentivador da ciência.

A ideia é que a mostra seja itinerante e passe por outras das 45 instituições envolvidas no programa. "Um dos objetivos da exposição é tornar esses documentos mais conhecidos, aproximá-los da sociedade. Eles só vão ser mesmo preservados se houver uma demanda tanto dos pesquisadores quanto do público em geral", diz Denise. Visitas guiadas são oferecidas nas manhãs de terça e nas quintas à tarde. O agendamento deve ser feito pelo telefone (0XX21) 2179-1228. A exposição é gratuita e vai até o dia 7 de junho.

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