Lei regula trânsito de material vegetal

Carregar sementes e mudas põe a agricultura e a economia em risco, pois pode introduzir pragas e doenças

O Estado de S.Paulo

18 Julho 2007 | 05h16

Embora seja proibido, é hábito de muita gente transitar com mudas ou sementes de uma flor bonita ou de uma fruta saborosa, ignorando a lei e o risco de introduzir novas pragas e doenças. "É preciso ter consciência de que esse tipo de ação pode trazer graves conseqüências", alerta a coordenadora do Programa de Espécies Exóticas Invasoras para a América do Sul da ONG ambiental TNC, Silvia Ziller. "Uma semente ou uma muda podem trazer um ovo de inseto, uma bactéria, um nematóide. Daí a proibição", justifica o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Tratamento Fitossanitário e Quarentenário (Abrafit), Marco Bertussi. "Isso é perigoso tanto para a agricultura, como para o ambiente." Para enfatizar a gravidade, ele cita o bicudo do algodoeiro, introduzido no País na década de 80 e que tornou inviável o cultivo do algodão em São Paulo e em Minas Gerais. "O mesmo vale para a vassoura-de-bruxa do cacau e para a ferrugem da soja", cita. Bertussi lembra que no Peru é muito comum a venda de um souvenir com 20 tipos de feijões, de tamanhos e cores diferentes. "São atrativos, porém perigosos; dentro dos feijões podem haver vírus ou bactérias que podem causar grandes prejuízos para a agricultura brasileira", alerta o presidente da Abrafit. Ele também chama a atenção para o trânsito de material vegetal dentro do País, lembrando um problema sério no Amapá: a mosca-da-carambola, que veio da Guiana Francesa e pode atacar vários tipos de frutas. "Se chegar em Petrolina (PE) ou Mossoró (RN), a mosca acaba com a fruticultura dessas regiões", alerta. ESPÉCIES REGISTRADAS Segundo Rafael Zenni, da TNC, no Brasil há 286 espécies invasoras registradas (no site podem ser acessadas as suas fichas técnicas). Dentre as invasoras mais comuns ele cita uva-do-japão, nêspera (ameixa amarela), goiabeira, pau-incenso, lírio-do-brejo, madressilva, algaroba, leucena e capim anoni (Veja infográfico). "Como a goiabeira, a leucena impede a colonização do local por espécies nativas." Há ainda espécies exóticas invasoras de uso comercial, como o pinus e a acácia, e ornamentais, como o ipê-mirim (amarelinho). "A goiabeira e o amarelinho são invasoras no noroeste do Paraná, na divisa com São Paulo, nas áreas de pastagens que antes eram ocupadas com florestas", afirma Zenni. "De uma forma geral, essas plantas são introduzidas como frutíferas ou ornamentais, mas têm impacto sobre a biodiversidade e a economia local."

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