Lembranças on the road de um comerciante americano

A vida de um importador de vinhos não chega a ser eletrizante. Por mais apaixonado que seja por seu trabalho, o comerciante é um paciente descobridor de regiões ou produtores, acumulador de lento conhecimento. Está mais para um egiptólogo em busca de um potinho de cerâmica que para um Indiana Jones. A luz da celebridade fica para notáveis enólogos, garrafas raríssimas vendidas em leilão ou vinhos míticos. Mesmo assim, um livro como o de Neal Rosenthal, defensor dos vinhos de terroir na sua empresa nova-iorquina, se justifica. A leitura flui devagar, discretas epifanias. Rosenthal decidiu, sem tradição familiar alguma, aprender sobre vinhos e vendê-los. Largou o escritório de advocacia, isolou-se por duas semanas no campo com livros e garrafas e, na volta, montou sua loja, a Rosenthal Wine Merchant, na antiga farmácia do pai, no Brooklin. Antes dele, Kermit Lynch, na Califórnia, fizera algo parecido. A semelhança entre ambos é a escolha enxuta de seus catálogos e o conhecimento pessoal com os produtores. Representam nos dois lados dos Estados Unidos o que os cavistas fazem na França, um elo entre o vinicultor e o cliente, algo mais cultural que o mero comércio.

O Estado de S.Paulo

11 Março 2010 | 03h37

Vinhos de Boutique, de Neal Rosenthal. Ed. Larousse do Brasil, R$ 39,90

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.