Lendário bailarino americano morre no Rio

Após desempenhar clássicos e dar relevância a papéis masculinos, criou no Brasil projeto de inclusão social

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h02

Memória

Um dos maiores nomes do balé no século 20, da estatura dos russos Rudolf Nureyev e Mikhail Baryshnikov, o ex-bailarino norte-americano Richard Cragun, de 67 anos, morreu ontem no Rio. Radicado no Brasil desde 1999, Cragun apresentava problemas neurológicos desde 2005. Estava internado havia seis dias e, ontem, no início da manhã, teve uma convulsão. Seu corpo será cremado hoje, às 13 horas, no crematório do Caju.

Sua última atividade foi comandar os ensaios do balé Onegin, de John Cranko, no Teatro Municipal do Rio, onde, entre 2003 e 2004, foi diretor da companhia de balé. Cragun veio para o Brasil por influência de Márcia Haydée, bailarina que conheceu no Balé de Stuttgart, na Alemanha, com quem viveu por 16 anos. Foi lá, tendo Márcia como partner em célebres pas de deux, que o bailarino experimentou dias de máxima glória.

Sob a orientação de Cranko, lendário coreógrafo sul-africano, dançou na companhia até o fim da carreira, em 1996, aos 52 anos. Foram 34 anos em Stuttgart ao lado de Márcia.

Cragun ajudou a dar relevância aos papéis masculinos, em geral deixados em segundo plano pela bailarinas. Fez todos os de maior importância do repertório clássico (Romeu e Julieta, Lago dos Cisnes, A Sagração da Primavera) e inspirou obras contemporâneas. Teve personagens criados para ele, como o Petruchio, de A Megera Domada, de Cranko, e o papel- título em Petrushka, de Maurice Béjart. Dançou como convidado nos palcos mais prestigiosos do mundo.

Após parar de atuar, criou o DeAnima Ballet Contemporâneo, projeto de inclusão social por meio da dança. Deu aulas para meninos e meninas de favelas. "Queremos mostrar a eles que existem outras formas de ver a vida", disse em entrevista ao Estado há quatro anos, sobre o "núcleo socioprofissionalizante", que era seu maior orgulho.

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