Leptospirose não matou menino

Causa da morte de criança que teve contato com água de enchente na zona leste continua a ser investigada

Renato Machado, O Estadao de S.Paulo

23 Dezembro 2009 | 00h00

A Secretaria Municipal de Saúde informou ontem que o resultado do teste realizado na criança de 6 anos que morreu domingo deu negativo para leptospirose. Isaac de Souza Lima morava na Viela Paulista, travessa formada por barracos no bairro Vila Itaim, na zona leste, um dos que ficaram alagados por quase duas semanas após a enchente do dia 8. A causa da morte ainda está sendo investigada.

A apuração da causa está sendo feita pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), do governo do Estado. O exame preliminar que deu negativo foi encaminhado pelo Hospital Santa Marcelina, onde Isaac morreu, para um laboratório particular. Segundo a família do garoto, a hipótese de leptospirose teria sido levantada pelo próprio médico que o atendeu no domingo. O resultado final deve sair em até 20 dias.

A leptospirose é comum em casos de enchente, pois é transmitida pela urina de rato. Os principais sintomas são febre alta, dores de cabeça e em todo o corpo - em especial na panturrilha - e mal-estar. Se não tratada com rapidez e adequadamente, pode matar.

Além da leptospirose, as autoridades de saúde estão preocupadas com a transmissão de outros tipos de doença na região que alagou. Agentes de zoonoses da Supervisão de Vigilância de Saúde da região de São Miguel estão realizando vistorias nas casas atrás de focos de mosquitos. Segundo a Secretaria de Saúde, amostras de larvas foram recolhidas para análise.

Amanhã, a secretaria vai realizar uma força-tarefa para combater a proliferação de mosquitos do tipo Culex (não transmissores de doença). Apesar de as águas das ruas terem praticamente escoado, algumas casas ainda estão totalmente alagadas. Na água é possível ver larvas de mosquito.

A dengue é uma hipótese, mas médicos e autoridades sanitárias que fazem plantão no local dizem que a probabilidade é baixa. Isso porque o mosquito se prolifera em água limpa e parada. A água que invadiu a região é suja e misturada com esgoto.

"Minha casa está toda alagada e com larvas e mosquitos em todos os quartos. Por isso saí de casa", diz Elisângela Cássia. Ela, o marido e três filhos estão vivendo em uma casa alugada provisoriamente por um vizinho. A sua residência está abaixo do nível da rua e totalmente inundada.

"Eu já me cadastrei no programa e não sei por que ainda não mudei (para o prédio cedido em Itaquaquecetuba pelo governo do Estado). Um monte de gente já mudou e as casas de muitos já estão secas", completa. Na tarde de ontem, ela seria encaminhada a um posto médico, pois estava com fortes dores de cabeça e em todo o corpo.

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