LHC fecha o cerco sobre o elusivo bóson de Higgs

Um dos maiores mistérios da física teórica pode estar próximo de ser solucionado experimentalmente. Cientistas ligados ao Grande Colisor de Hádrons (LHC, em inglês) anunciaram na semana passada que os resultados preliminares da busca pelo bóson de Higgs - a chamada "partícula de Deus" - foram submetidos para publicação na revista Physics Letters B.

O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2012 | 03h05

O bóson de Higgs é uma peça essencial do chamado modelo padrão, a teoria que descreve o funcionamento das partículas elementares que compõem toda a matéria visível do universo - o seu corpo, as suas roupas, o ar que você respira, a água que você bebe, a Terra, o Sol, a Via-Láctea. Ela é a partícula que daria massa a todas as outras partículas. Sua existência é prevista pelo modelo e consistente com os testes do modelo realizados até agora, só que ela mesma nunca foi observada diretamente.

"É a única coisa que falta para fechar a teoria", diz Rogério Rosenfeld, pesquisador do Instituto de Física Teórica da Unesp e vice-diretor do ICTP-SAIFR.

Os dados submetidos para publicação excluem a existência do bóson de Higgs em faixas de energia abaixo de 115 ou acima de 131 giga elétrons-volts (GeV). Se ele existe como previsto no modelo padrão, portanto, terá de aparecer nos próximos testes de colisão, entre 116 e 131 GeV.

Maior máquina já criada pelo homem - um anel de 27 km no qual prótons são acelerados quase à velocidade da luz -, o LHC foi construído, ao custo de US$ 8 bilhões, justamente para testar e complementar as previsões da física teórica sobre a estrutura da matéria. A maioria dos físicos aceita que, se o bóson de Higgs não for detectado ali, é porque ele de fato não existe como previsto no modelo padrão. E o modelo terá de ser revisto.

De um jeito ou de outro, será um resultado histórico para a física, teórica e experimental. H.E.

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