Líder comunitário da Rocinha, no Rio, é assassinado

O presidente da Associação de Moradores do Bairro Barcelos, uma das entidades comunitárias da Rocinha, Vanderlan Barros de Oliveira, conhecido como Feijão, de 41 anos, foi morto com cinco tiros por volta das 15h45 desta segunda-feira na favela situada em São Conrado, na zona sul do Rio. Ele havia saído da associação e manobrava uma moto na Travessa Palmas, a poucos metros da via Ápia, uma das principais da comunidade, quando um homem passou de moto, disparou contra Oliveira e conseguiu fugir. Atingido pelas costas, o líder comunitário morreu na hora.

FÁBIO GRELLET, Agência Estado

26 Março 2012 | 19h22

Segundo membros da associação, minutos antes do crime, o autor dos disparos esteve na entidade à procura de Feijão, mas foi informado de que ele estava em reunião. O homem saiu do prédio, mas aguardou Feijão na rua, a cerca de 50 metros dali, onde ocorreu o crime.

Acusado de ser comparsa do traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, preso em novembro, Feijão seria julgado em maio por associação para o tráfico. Investigação da Polícia Civil indicou que Feijão era dono de duas empresas (um lava a jato e uma distribuidora de gelo) usadas para tornar lícito o dinheiro do tráfico. Nesse processo, além dele, também são acusados o próprio Nem, a sogra dele, Maria das Graças Rangel, e o irmão de Feijão, Telmo de Oliveira Barros, sócio nas duas empresas. O grupo é acusado de movimentar cerca de R$ 1,2 milhão supostamente oriundos do tráfico por meio de 29 contas bancárias.

Em novembro passado, quando a Rocinha foi ocupada pela polícia, Feijão chegou a ser detido devido a uma ordem de prisão emitida durante as investigações sobre lavagem de dinheiro, mas o líder comunitário logo foi solto porque se constatou que o mandado de prisão havia sido revogado.

Em agosto de 2010, quando dez traficantes em fuga da Rocinha invadiram o Hotel Intercontinental e renderam 35 pessoas, Feijão participou das negociações que resultaram na libertação dos reféns e na prisão dos criminosos. A Polícia Civil investiga o assassinato. A polícia ocupa a Rocinha desde novembro, mas por enquanto não há data prevista para instalar Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). A tensão aumentou nas últimas semanas.

Na madrugada do dia 19, um confronto entre traficantes deixou três mortos e um ferido. Os mortos teriam envolvimento com o tráfico. Na noite seguinte, um intenso tiroteio assustou os moradores, embora não tenha deixado vítimas. Na última sexta-feira o efetivo de policiais militares na Rocinha ganhou mais 130 homens e passou a 300 PMs. Mas isso não reduziu a tensão. Na madrugada desta segunda-feira, horas antes do assassinato de Feijão, outro homem foi baleado na comunidade, mas sobreviveu.

Mais conteúdo sobre:
morte líder Rocinha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.