Líder da centro-esquerda italiana busca forma de avançar após impasse

O líder da centro-esquerda italiana, Pier Luigi Bersani, criticado por não ter conseguido a maioria parlamentar necessária na eleição da semana passada, tentou nesta quarta-feira reunir seu partido em torno de um amplo plano para formar um governo de minoria apoiado pelo líder populista Beppe Grillo.

JAMES MACKENZIE, Reuters

06 de março de 2013 | 12h39

Bersani, cuja coalizão tinha uma vantagem de 10 pontos nas pesquisas de opinião antes da eleição de 24 e 25 de fevereiro, ganhou o controle da Câmara, mas deixou escapar a maioria parlamentar viável ao não vencer no Senado.

O resultado não deixou nenhum grupo em condições de formar um governo sozinho, e a Itália enfrenta semanas de incerteza. Uma nova eleição pode ser convocada dentro de alguns meses, se nenhum acordo for alcançado entre as partes.

Em discurso aos membros do seu Partido Democrata (PD), em Roma, Bersani, ex-ministro da Indústria, de 61 anos, reconheceu que o resultado foi uma derrota, mas disse que a esquerda era a única força política capaz de formar um governo.

"Estamos prontos, se formos chamados, para propor um governo de mudança com base em um programa central", disse ele. "O objetivo será abrir um caminho adiante para o Parlamento."

Bersani esboçou uma plataforma de 8 pontos para ser apresentada ao Parlamento, que vão desde estimular o crescimento da economia estagnada da Itália até a redução da burocracia e o combate à corrupção.

Ele descartou qualquer acordo com o líder de centro-direita, Silvio Berlusconi, cujo governo contaminado por escândalos caiu no auge da crise de dívida da zona do euro em 2011, dizendo que um acordo não seria nem "crível nem viável".

Por trás de sua recusa a se aliar com Berlusconi está um cálculo incerto que deixa Bersani dependente de Grillo, cujo Movimento 5 Estrelas foi o grande vencedor na eleição, com mais de 25 por cento dos votos.

Bersani disse que cabe ao ex-comediante, que descartou a possibilidade de alianças formais e de apoiar qualquer governo em um voto de confiança, mostrar se ele estava preparado para agir com responsabilidade.

"Alguém que obteve 8 milhões de votos e que escolheu ir ao Parlamento, e não ficar de fora, tem que dizer o que ele quer fazer pela Itália com esses votos", afirmou.

O Parlamento se reúne pela primeira vez em 15 de março, e espera-se que o presidente Giorgio Napolitano inicie consultas formais com líderes dos partidos em 19 de março para avaliar se um governo pode ser formado.

RENZI À ESPERA

Sem um voto de confiança, nenhum governo poderia funcionar, por isso não está claro como Bersani poderia formar até mesmo um governo de minoria, a menos que Grillo inverta sua recusa em dar apoio formal.

Bersani ganhou o apoio da maioria dos líderes partidários ao falar na reunião, mas ele está sob crescente pressão sobre o revés eleitoral, com o prefeito de Florença, Matteo Renzi, de 38 anos, visto como o mais provável sucessor da centro-esquerda a longo prazo.

Renzi prometeu sua lealdade a Bersani, que o derrotou no ano passado nas primárias da centro-esquerda para escolher um candidato às eleições, mas disse na terça-feira que concorreria novamente no futuro. Ele deixou a reunião desta quarta-feira cedo sem falar.

Embora Grillo tenha descartado a possibilidade de apoiar Bersani em um voto de confiança, o programa da centro-esquerda contém muitos pontos que poderiam ganhar o apoio do Movimento 5 Estrelas.

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