Líder da oposição em Uganda é detido, protestos se espalham

O líder oposicionista ugandense Kizza Besigye foi detido nesta quinta-feira por acusações ligadas à quarta rodada de protestos contra os preços altos, que deixaram dois policiais e uma criança mortos, informou a polícia.

BARRY MALONE E ELIAS BIRYABAREMA, REUTERS

21 de abril de 2011 | 11h59

Forças de segurança ugandenses prenderam Besigye na capital do país, Campala e lançaram gás lacrimogêneo para dispersar centenas de seus partidários. Besigye foi colocado em uma viatura policial e levado a um tribunal cercado por segurança pesada, onde foi formalmente acusado e recebeu ordem de ficar detido até nova audiência no tribunal, em 27 de abril.

O presidente Yoweri Museveni, no poder desde 1986, atribui a alta dos custos dos alimentos à estiagem e o aumento nos custos locais dos combustíveis à alta dos preços globais do petróleo. Ele avisou seu rival, a quem derrotou em fevereiro na terceira eleição consecutiva, que suas marchas de protesto não serão toleradas.

Museveni, que concordara anteriormente em aparecer em um programa de televisão na quinta-feira, provavelmente falaria sobre os protestos no programa, segundo relatos.

É a terceira vez em que Besigye é detido e acusado em menos de 15 dias por liderar os protestos feitos sob o slogan "caminhar para o trabalho" contra a alta dos custos dos transportes e dos alimentos. Na quinta-feira ele foi atingido na mão por uma bala de borracha quando policiais dispararam para dispersar uma multidão reunida para marchar com ele.

"São as instituições do Estado que vão a julgamento, e não eu. É a polícia, são os tribunais que devem ir a julgamento. Este terror vai terminar", disse Besigye.

"A polícia está usando este tribunal para promover o abuso de meus direitos. Fui detido três vezes enquanto cumpria meu dever, sendo que não fiz nada de errado."

A magistrada Justine Atukwasa disse que estava ocupada demais para ouvir o pedido de libertação sob fiança do líder oposicionista.

"Tenho outros encargos e não posso ouvir o pedido de fiança agora porque não tenho tempo", disse ela.

Dois policiais e uma criança foram mortos quando os protestos chegaram pela segunda vez à cidade de Masaka, no sudoeste de Uganda, onde policiais usaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar multidões que gritavam palavras de ordem contra os altos preços dos alimentos e combustíveis.

"A polícia veio dispersar a multidão e tivemos que usar gás lacrimogêneo", disse Noah Serunjoji, porta-voz da polícia em Masaka. "Quatro pessoas ficaram feridas e uma criança de 5 anos foi atingida por balas perdidas e morreu."

Uma fonte sênior da polícia disse à Reuters mais tarde que dois policiais apedrejados pela multidão morreram mais tarde no hospital.

No centro de Campala, cerca de 50 rapazes que se acreditava que fizessem parte dos manifestantes atacaram vans que funcionam como táxis e apedrejaram várias lojas, mas foram expulsos por membros da milícia pró-governo conhecida como Esquadrão Kiboko (Bastão), brandindo bastões, enquanto policiais assistiam sem fazer nada.

Na terça-feira centenas de pessoas fizeram marchas pacíficas na capital do Quênia, Nairóbi, e em Mombasa, protestando contra a alta dos preços dos combustíveis e alimentos, um dia depois de o governo queniano ter reduzido os impostos sobre o combustível para diminuir o impacto da alta dos preços.

(Reportagem adicional de James Akena e Maya Prabhu)

Mais conteúdo sobre:
UGANDAPROTESTOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.