Líder da Ucrânia se reúne com oposição um dia antes de sessão crucial do Parlamento

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, se reuniu novamente com líderes da oposição nesta segunda-feira como preparação para uma sessão parlamentar extraordinária na qual ele e seus aliados estarão sob pressão para fazer grandes concessões exigidas pela população em protesto.

RICHARD BALMFORTH, Reuters

27 de janeiro de 2014 | 21h21

Uma árdua batalha é esperada na sessão de terça-feira, já que a oposição exige a rejeição de uma lei antiprotestos, a destituição do governo e uma anistia para todos os manifestantes detidos em dois meses de agitação no país.

Segundo o site da Presidência, Yanukovich e os opositores concordaram em revogar algumas leis antiprotestos na sessão especial do Parlamento, e a ministra da Justiça, Olena Lukash, afirmou que também será discutida a questão da "responsabilidade" do governo.

Mas ela acrescentou, segundo o site, que o ex-ministro da Economia Arseny Yatsenyuk, um dos líderes da oposição, recusou formalmente a oferta feita por Yanukovich no fim de semana para que assumisse o cargo de primeiro-ministro.

Eles também concordaram que os prisioneiros detidos pela polícia nas manifestações deverão ser anistiados, embora Yanukovich tenha condicionado essa anistia à liberação de todas as instalações e estradas tomadas por eles nos protestos.

Mais cedo, Olena aumentou a tensão ao advertir que iria pressionar pela imposição do estado de emergência se os manifestantes não deixassem um edifício ministerial ocupado durante a noite.

O estado de emergência limitaria o movimento de pessoas e veículos, proibiria concentrações, marchas e greves, suspenderia a atividade dos partidos políticos e introduziria um toque de recolher.

Os invasores saíram do local depois de resistirem à polícia por várias horas, mas disseram que retornarão se não houver nenhum progresso no Parlamento na terça-feira.

Enquanto o presidente se reunia com líderes oposicionistas - Yatsenyuk, o ex-boxeador Vitaly Klitschko e o nacionalista Oleh Tyahnibok - o partido do governo preparava o cenário para uma sessão turbulenta do Parlamento, dizendo que não pretende ceder em nada.

"O primeiro-ministro não irá. O Parlamento amanhã (terça-feira) não vai votar a renúncia do governo", disse o porta-voz do governista Partido das Regiões, Mykhailo Chechetov, à agência Interfax.

Ele afirmou que a bancada parlamentar do Regiões também vai bloquear qualquer tentativa de refutar a legislação antiprotestos, cuja aprovação foi forçada pelos partidários de Yanukovich em 16 de janeiro.

"Nós somos categoricamente contra mudar essas leis. Do que estamos falando aqui? Um bandido tem de ir para a prisão", disse ele.

CHAMADO PARA MANIFESTAÇÃO

O partido Batkivshchyna (Pátria), da líder oposicionista Yulia Tymoshenko, que está presa, pediu a seus seguidores que se concentrem na terça-feira na Praça Independência, em Kiev, em solidariedade aos deputados oposicionistas no Parlamento. O partido agora é liderado pelo ex-ministro Yatsenyuk.

Yanukovich provocou o levante popular em novembro quando repentinamente abandonou os planos de assinar acordos de livre comércio com a União Europeia e, em vez disso, optou por estreitar os laços com a Rússia, ex-força dominante no tempo da União Soviética.

A decisão irritou milhões de ucranianos que anseiam pela aproximação com o oeste europeu.

Nesta segunda-feira, a Ucrânia anunciou que irá recorrer a outros 2 bilhões de dólares em crédito - além dos 3 bilhões de dólares já recebidos para a compra de títulos - como parte de um pacote de resgate de 15 bilhões de dólares oferecido pela Rússia após a ex-república soviética se afastar do acordo com a UE.

Mas, apesar de o pacote russo ajudar a Ucrânia com sua dívida de 8 bilhões de dólares em dívida externa neste ano e aumentar as reservas esgotadas, o montante parece não impressionar milhares de ucranianos nas ruas que estão pressionando por concessões de Yanukovich.

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