Líder de Burkina Fasso diz que entregará poder a governo de transição

O presidente interino de Burkina Fasso, Isaac Zida, disse nesta segunda-feira que o Exército vai rapidamente ceder o poder para um governo de transição encabeçado por um líder definido por consenso, em uma tentativa de responder às acusações de que ele usurpou o poder em um golpe militar.

MATHIEU BONKOUGOU E NADOUN COULIBALY, REUTERS

03 Novembro 2014 | 15h52

O presidente que controlou o país durante vários anos Blaise Compaoré renunciou após dois dias de protestos desencadeados pela sua tentativa de estender seu mandato por meio de uma emenda à Constituição.

No sábado, o Exército apontou o tenente-coronel Zida como chefe de Estado interino, em uma decisão criticada pelos políticos na oposição, pela União Africana e pelas potências Ocidentais que pedem o retorno a um governo civil.

"Nosso entendimento é que o Poder Executivo seja dirigido por um governo de transição, mas dentro de um quadro constitucional que vamos estar atentos", disse Zida em um encontro com diplomatas e jornalistas na capital, Ouagadougou, sem dar prazos para a mudança.

"Não estamos aqui para usurpar o poder, sentar e dirigir o país, mas para ajudar o país a sair desta situação", acrescentou.

O anúncio aconteceu depois de uma série de reuniões de crise no domingo entre Zida e líderes da oposição depois que milhares se reuniram para se manifestar contra a nomeação dele no Place de la Nation, cenário de protestos violentos na semana passada nos quais o Parlamento foi incendiado.

Segundo a Constituição do país da África Ocidental, o presidente da Câmara dos Deputados deveria assumir a Presidência em caso de renúncia do mandatário, com a missão de organizar novas eleições em até 90 dias. Contudo, o presidente da Câmara já teria deixado o país, junto com outros dirigentes do regime de Compaoré.

O próprio Compaoré chegou na vizinha Costa do Marfim no sábado, segundo confirmou o governo do país.

Ainda no domingo, o Exército abriu fogo contra manifestantes que ficaram na sede da televisão estatal em antecipação ao anúncio de um novo líder. Um manifestante foi morto.

A situação era de calmaria nesta segunda-feira, com os bancos reabrindo e o trânsito voltando a encher as ruas empoeiradas da capital. Um toque de recolher noturno segue estabelecido.

A nomeação de Zida marca a sétima vez que um militar assumiu o poder como chefe de Estado em Burkina Fasso desde que o país ganhou independência da França em 1960.

Benewende Stanislas Sankara, membro do partido de oposição UNIR/MS, demonstrou preocupação com o papel do Exército em supervisionar o governo.

"Ninguém pode colocar a sua confiança no Exército. Mas, agora, as autoridades militares no poder parecem estar agindo de boa fé", ele disse à Reuters.

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