Líder democrata de Mianmar pede paz e libertação de prisioneiros

A líder democrata de Mianmar, Aung San Suu Kyi, marcou o aniversário de sua libertação de anos de prisão domiciliar renovando os pedidos para que todos os prisioneiros políticos sejam libertados e para o fim das hostilidades entre as tropas governamentais e rebeldes étnicos.

AUNG HLA TUN, REUTERS

14 de novembro de 2011 | 11h57

A Prêmio Nobel da Paz também disse em uma rara coletiva de imprensa na segunda-feira que o seu movimento Liga Nacional pela Democracia (LND) ainda tinha que decidir se faria novo registro como partido político para disputar futuras eleições parlamentares.

"É muito importante libertar todos os presos políticos. Não só a LND, mas todos os que querem a democracia desejam isso", disse Suu Kyi.

Os Estados Unidos e a Europa há muito tempo estabeleceram a libertação de prisioneiros políticos como um de seus critérios para a retirada de sanções. Suu Kyi afirmou nesta segunda-feira que elas devem ser mantidas até que algumas reformas fossem introduzidas que beneficiassem o povo birmanês.

Suu Kyi, ex-prisioneira política de mais alto escalão de Mianmar, foi libertada da prisão domiciliar após sete anos no ano passado e havia passado um total de 15 anos em detenção por sua oposição ao regime militar.

Um alto funcionário do Ministério do Interior disse no domingo que haveria detalhes de outra anistia geral dentro dos próximos dias, que incluiria a libertação de presos políticos.

Cerca de 230 foram libertados em 12 de outubro, um movimento bem recebido pelo Ocidente como um passo para reformas há muito aguardadas pelo governo civil que assumiu no final de março, encerrando cinco décadas de regime militar ininterrupto na ex-colônia britânica.

A LND disse na segunda-feira que 591 prisioneiros políticos ainda estavam detidos, cerca de 200 a mais do que o número apresentado pelo governo. A antiga junta negou durante décadas que mantinha políticos ou ativistas em suas prisões.

Analistas e diplomatas acreditam que o governo poderia libertar mais presos esta semana, para coincidir com o início da cúpula da Associação de Nações do Sudeste da Ásia (ASEAN), na ilha indonésia de Bali.

Eles dizem que uma anistia neste momento poderia melhorar a imagem do presidente Thein Sein entre seus pares internacionais e reforçar sua defesa de que Mianmar assuma a presidência rotativa da ASEAN em 2014, dois anos antes do previsto, uma proposta amplamente vista como uma tentativa de legitimar o novo sistema político.

Suu Kyi, no entanto, disse que as reformas para o público birmanês devem ter prioridade sobre a questão da imagem internacional de Mianmar e também devem vir antes de qualquer retirada das sanções ocidentais.

"É mais importante que o povo sinta que a situação está melhor (internamente) do que Mianmar se tornar presidente da ASEAN", acrescentou.

Suu Kyi afirmou que há sérias preocupações sobre os conflitos entre o Exército e os separatistas étnicos, particularmente no Estado de Kachin que faz fronteira com a China, e ela estava disposta a desempenhar um papel em qualquer processo de paz, insistindo que Thein Sein e os grupos rebeldes cheguem a um acordo sobre um cessar-fogo.

Separadamente na segunda-feira, fontes locais disseram que pelo menos 10 pessoas foram mortas e 27 ficaram feridas na explosão de uma bomba na capital de Kachin, Myitkyinar, na noite de domingo.

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