Líder do Hezbollah desafia governo libanês

Milícia diz que qualquer tentativa contra o grupo será 'declaração de guerra'.

Tariq Saleh, BBC

09 de maio de 2008 | 07h35

O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse nesta quinta-feira que qualquer tentativa do governo libanês contra o grupo xiita será interpretada como uma "declaração de guerra".Segundo Nasrallah, a pressão do governo sobre a rede privada de comunicações do grupo é a prova de que os governistas são "espiões" dos Estados Unidos e de Israel.Em entrevista transmitida à imprensa por meio de telão, o chefe máximo do Hezbollah advertiu o governo que a milícia xiita e seus aliados estão prontos para "duas guerras", se referindo a um conflito civil e outro contra Israel."A crise libanesa está entrando agora em uma nova fase, uma nova era", disse Nasrallah.O líder do Hezbollah disse ainda que a culpa pela crise e pelo aumento na violência no país é do governo e de seus simpatizantes.Antes e após a coletiva, militantes do Hezbollah se manifestaram com disparos de fuzis para o alto.ViolênciaDurante o dia, a violência se espalhou pelo Líbano. Em vários pontos do país houve confrontos armados entre partidários ligados ao governo e militantes da oposição liderada pelo Hezbollah.Em Beirute, mais ruas e avenidas foram bloqueadas por manifestantes, muitos usando máscaras e armados com fuzis. Pesados combates ocorrem entre militantes do Amal (aliado do Hezbollah) e do partido sunita Mustaqbal nos bairros de Mazraa, Msaitbeh, Ras al-Nabaa e Beshara Khoury e em vários outros pontos do oeste de Beirute.Em Beshara Khoury, o Hezbollah e membros das forças libanesas, do cristão Samir Geagea, se envolveram em confrontos, e tiros puderam ser ouvidos nas cercanias do prédio do governo.Helicópteros do Exército sobrevoaram Beirute, com soldados tentando controlar militantes de ambos os lados, mas com pouco sucesso.O aeroporto internacional da capital continua bloqueado e inoperante, com todos os vôos cancelados.Estado de emergênciaO comando das Forças Armadas divulgou nota em que diz que, se a situação persistir, a unidade do Exército libanês estará comprometida.Muitos soldados do Exército são xiitas, e haveria a possibilidade de dissolução das tropas por questões de lealdade sectária.Em Trípoli, a segunda maior cidade do país e forte reduto sunita aliado do governo, começaram confrontos entre facções rivais nas áreas perto do porto, na região de Mina.A estrada que leva ao principal posto de fronteira com a Síria está bloqueada, o que obriga estrangeiros e libaneses a usar as fronteiras do norte para sair do país.Segundo as forças de segurança libanesas, várias cidades no Vale do Bekaa, no leste do Líbano, estão com acessos bloqueados, e em outros pontos ocorrem combates armados entre as facções rivais.ReaçõesEm um dos confrontos, uma pessoa morreu e outras seis pessoas ficaram feridas, segundo informações da imprensa local.Várias ambulâncias puderam ser vistas pela cidade, mas ainda não há confirmação de mais vítimas.O governo se reuniu em sessão extraordinária para discutir a posibilidade de declarar estado de emergência, segundo informou um porta-voz.O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou sua preocupação e pediu às partes envolvidas que cessem as hostilidades.A Casa Branca disse nesta quinta-feira que o Hezbollah deveria interromper o que chamou de "atividades que provocam desordem".BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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