Líder nacionalista diz que escoceses foram enganados em referendo

O líder nacionalista escocês Alex Salmond acusou neste domingo líderes políticos da Grã-Bretanha de enganar os escoceses e levá-los a não optar pela independência depois de uma disputa sobre quando e como dar mais poderes à Escócia. 

REUTERS

21 Setembro 2014 | 13h51

Com a derrota do movimento pró-independência, Salmond está deixando o cargo de líder do Partido Nacional Escocês (SNP), depois de não conseguir convencer os escoceses a deixar de fazer parte do Reino Unido. Ele acusou os três principais partidos políticos da Grã-Bretanha de ganhar o referendo de quinta-feira passada (55 por cento contra 45 por cento), por meio de uma falsa promessa de conceder novos poderes.

"Acho que a promessa foi algo inventado por desespero nos últimos dias da campanha, e acho que todos na Escócia agora percebem isso", disse Salmond, referindo-se a uma promessa do primeiro-ministro David Cameron e de outros líderes antes da votação de que a autonomia escocesa seria ampliada rapidamente em caso de um "Não". 

"São as pessoas que foram convencidas a votar 'Não' que foram enganadas, que foram seduzidas, que foram enganadas de forma eficaz", disse Salmond à BBC, afirmando que a promessa de última hora influenciou o resultado do referendo. 

Se o Reino Unido votar a favor de deixar a União Europeia em um referendo prometido por Cameron para 2017, Salmond sugeriu que os adeptos da independência escocesa podem pressionar para outra votação separatista. 

Todos os três principais partidos estão unidos na promessa de transferir novos poderes, mais impostos e políticas de bem-estar social para a Escócia. Mas a oito meses de uma eleição nacional, os conservadores de Cameron se envolveram em uma disputa rancorosa com o Partido Trabalhista, de oposição, sobre quando e como isso poderia acontecer.

A disputa ofuscou o início da conferência anual do Partido Trabalhista em Manchester, a última antes da eleição nacional do próximo ano, onde o líder Ed Miliband espera concentrar o debate político em sua visão de uma sociedade onde a riqueza e as oportunidades sejam compartilhadas de forma mais igualitária. 

Em vez disso, Miliband foi forçado a esclarecer a sua posição sobre dar mais poderes para a Escócia e se envolveu no que muitos eleitores consideram rusgas político-partidárias. 

Cameron, sob pressão de alguns de seus próprios legisladores e com a ameaça de perda de votos para o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), na sexta-feira condicionou novos poderes à Escócia com um consenso sobre novos arranjos constitucionais para o restante do Reino Unido, incluindo Inglaterra.

(Por Andrew Osborn e Kylie MacLellan) 

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