Líder oposicionista pede papel maior da ONU na Costa do Marfim

O líder opositor marfinense Alassane Ouattara, que reivindica vitória na eleição presidencial, exortou a ONU na segunda-feira a reforçar seu mandato de manutenção da paz para ajudar a reprimir uma luta violenta pelo poder que já causou mais de 50 mortes.

TIM COCKS E ANGE ABOA, REUTERS

20 de dezembro de 2010 | 12h50

O presidente Laurent Gbagbo desafia as pressões para deixar o cargo desde a eleição de 28 de novembro que outros países dizem que ele perdeu, e seus partidários prometeram lutar até a morte, depois de tropas da Organização das Nações Unidas e da França terem negado seu pedido para deixar o país.

Em Bruxelas, fontes diplomáticas disseram que os países da União Europeia concordaram que Gbagbo e outras 18 pessoas enfrentarão medidas punitivas a serem anunciadas formalmente na quarta-feira e que podem incluir o congelamento de seus bens e a proibição de viajar.

O Conselho de Segurança da ONU deve rever os termos pelos quais a força de paz da entidade, com 10 mil homens, vai levar adiante sua presença no país, maior produtor mundial de cacau. O mandato atual da força termina no fim deste mês.

"Não tenho dúvida de que será renovado," disse Patrick Achi, porta-voz da Presidência rival de Ouattara, referindo-se às discussões do Conselho de Segurança sobre o mandato da força de paz, previstas para esta segunda-feira.

Ouattara montou sua sede em um hotel do centro de Abidjan guardado por forças da ONU.

"A dúvida é se será mudado para um mandato de intervenção, para apoiar o presidente --é o que estamos pedindo," disse ele, pedindo que a força possa realizar operações ofensivas contra tropas que cometam abusos.

Inicialmente, a Rússia bloqueou uma tentativa de acertar uma declaração do Conselho de Segurança endossando Ouattara como vencedor, mas desistiu quando ficou evidente o amplo apoio dado a Ouattara, ex-funcionário do FMI, por vários setores, incluindo nações africanas.

O chefe local da missão da ONU, Y.J. Choi, não comentou o mandato, mas acusou o campo de Gbagbo de uma campanha de mídia que incita a violência contra funcionários da ONU, dizendo que "jovens armados" foram enviados às casas de alguns funcionários da ONU para assediá-los.

Nas últimas semanas, a tensão na Costa do Marfim empurrou os preços do cacau no mercado de futuros para o nível mais alto em quatro meses.

No domingo a alta comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillary, citou evidências de violações "maciças" dos direitos humanos cometidas na Costa do Marfim, dizendo que mais de 50 pessoas foram mortas nos últimos três dias e suscitou receios sobre relatos de mortes de pessoas detidas.

Ela disse também que centenas de pessoas foram retiradas de suas casas à força por homens armados.

(Reportagem adicional de Justyna Pawlak em Bruxelas)

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