Líder parlamentar iraniano critica acordo

Documento propõe que Teerã envie 75% do seu urânio para ser processado na Rússia

Associated Press, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

23 de outubro de 2009 | 00h00

Um dia antes de os quatro países envolvidos na negociação de Viena - Irã, Rússia, EUA e França - responderem, hoje, se aceitam o acordo que determina que 75% do urânio de baixo enriquecimento de Teerã seja processado na Rússia pelo período de um ano, o vice-presidente do Parlamento iraniano Mohammad Reza Bahonar deu o primeiro sinal de que o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad pode não assinar o documento.

"Eles (o Ocidente) nos dizem: vocês nos dão seu urânio enriquecido a 3,5% e nós lhes daremos combustível para seu reator. Isso, para nós, não é aceitável", disse Bahonar à agência iraniana Isna.

Essa opinião, entretanto, não reflete necessariamente a posição do regime iraniano.

EUA e França manifestaram-se favoráveis aos termos do acordo horas depois do encerramento da reunião de Viena, na quarta-feira.

Na ocasião, o representante iraniano limitou-se a dizer que o documento seria detalhadamente estudado por seu governo até o dia de hoje.

Em Washington, a declaração de Bahonar foi recebida com cautela. "Tenho certeza de que há muitas vozes em Teerã neste momento, mas nós esperaremos pela resposta das autoridades", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly.

DESCONFIANÇA

Em Jerusalém, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, foi mais cético sobre os benefícios do acordo.

Para ele, a proposta apenas retardaria as pretensões nucleares iranianas durante um ano permitindo que, em seguida, Teerã retomasse seu "plano real para atingir a capacidade nuclear".

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