Líder rebelde centro-africano promete governo de partilha de poder

O líder dos rebeldes na República Centro-Africana prometeu nomear um governo de partilha de poder na tentativa de amenizar as críticas internacionais do golpe que matou 13 soldados sul-africanos e mergulhou no caos a nação rica em minerais.

Reuters

25 de março de 2013 | 20h08

As tropas regionais de manutenção da paz disseram que o líder da coalizão rebelde Seleka, autoproclamado presidente Michel Djotodia, fez um apelo por ajuda para restaurar a ordem depois que seus homens participaram de um segundo dia de saques na capital Bangui.

A derrubada do presidente François Bozizé foi imediatamente condenada pela Organização das Nações Unidas e pela União Africana. Mas, em sinal de pragmatismo, os Estados Unidos, a França e o mediador regional Chade pediram que os insurgentes respeitassem um acordo de paz de janeiro e criassem um governo de unidade.

Cerca de 5.000 combatentes Seleka invadiram a capital no domingo, depois de uma ofensiva-relâmpago na qual abriram o caminho do extremo norte até o palácio presidencial em quatro dias depois do colapso do acordo de divisão de poder assinado na capital do Gabão, Libreville.

O vizinho Camarões confirmou nesta segunda-feira que Bozizé tinha chegado ali, mas disse que não estava lhe dando refúgio permanente.

A remoção de Bozizé, que tomou o poder em um golpe de 2003 apoiado pelo Chade, foi apenas a última de uma série de rebeliões desde que o país pobre e sem saída para o mar obteve a independência da França em 1960.

"Vamos liderar o povo da República Centro-Africana durante um período de transição de três anos, de acordo com o Acordo de Libreville", disse Djotodia em declaração gravada transmitida a jornalistas. A mensagem não foi ar na TV devido a cortes de energia.

O acordo Libreville, elaborado por mediadores regionais depois que os rebeldes cercaram Bangui em dezembro, criou um governo baseado em partidários de Bozizé, líderes rebeldes e a oposição civil.

Djotodia disse que o membro da oposição civil Nicolas Tiangaye continuará no posto de primeiro-ministro com um gabinete levemente reformado.

Na capital, 600.000 moradores continuavam sem energia elétrica e água corrente pelo terceiro dia, não deixando que Djotodia fizesse um planejado discurso nacional do palácio presidencial.

Apesar do toque de recolher, houve saques de escritórios, prédios públicos e comerciais por rebeldes e civis.

"A ordem pública é o maior problema agora", disse o general Jean Felix Akanga, comandante da força de manutenção de paz africana. "Os líderes Seleka estão lutando para controlar seus homens. O presidente nos pediu para ajudar a restaurar a calma".

Ele disse que os rebeldes iriam começar a confinar suas forças em quartéis a partir desta segunda-feira.

O grupo de ajuda internacional Médicos Sem Fronteiras afirmou que seus escritórios em Bangui e em outros lugares do país foram saqueados e pediu a todos os lados para garantir que as pessoas tenham acesso a cuidados médicos.

Com o contingente militar da França se recusando a intervir, duas colunas fortemente armadas de insurgentes em picapes invadiram Bangui no dia anterior, deixando de lado uma força sul-africana de 400 soldados que tentaram bloquear seu caminho.

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, disse que pelo menos 13 soldados foram mortos e outros 27 ficaram feridos no combate, a pior derrota militar para a África do Sul desde o fim do apartheid, em 1994, e uma afronta embaraçosa para os seus esforços de projetar seu poder no coração da África.

(Por Ange Aboa e Paul-Marin Ngoupana, com reportagem adicional de Leigh Thomas, em Paris)

Tudo o que sabemos sobre:
RCAREBELDEGOVERNO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.