Líder rebelde do Congo 'apóia' plano de paz

Laurent Nkunda fez declaração após reunião com enviado da ONU ao país.

Da BBC Brasil, BBC

16 Novembro 2008 | 11h54

O líder rebelde Laurent Nkunda disse neste domingo que está disposto a apoiar um plano de paz junto ao governo da República Democrática do Congo.A declaração foi feita depois de uma reunião entre Nkunda e o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, enviado da ONU ao país.O encontro ocorreu dentro de uma igreja na cidade de Joma, controlada pelos rebeldes, ao norte de Goma, capital da província de Kivu do Norte.Segundo relatos, o líder rebelde teria concordado em respeitar um cessar-fogo anunciado há algumas semanas e abrir um corredor para o envio de ajuda humanitária a milhares de pessoas. "Hoje é um dia muito importante para nós porque estamos perdendo muitos homens e agora temos uma mensagem de paz. Nós deveríamos trabalhar com esta missão", disse Nkunda. "Nós concordamos em abrir corredores humanitários para colaborar com o processo (de paz)."Em entrevista após o encontro, Obasanjo disse que a reunião foi "muito boa" e reforçou que esforços coordenados serão necessários para que o plano de paz apoiado pela ONU seja bem-sucedido.Novos combatesObasanjo foi recebido nesta manhã por Nkunda, que trocou o uniforme militar por um terno cinza.No sábado, Obasanjo disse que era importante saber exatamente quais as exigências de Nkunda. O líder rebelde diz estar lutando para proteger a comunidade da etnia tutsi dos ataques dos hutus, que fugiram da Ruanda para o Congo após o genocídio de 1994.Em recente entrevista à BBC, Nkunda disse que queria controlar o país.Segundo o correspondente da BBC em Goma, Mark Doyle, a declaração é obviamente uma "arma de propaganda", mas assustou muitos congoleses que acreditam que Nkunda conta com o apoio da pequena, porém poderosa vizinha, Ruanda.O enviado da ONU, que se reuniu no sábado com o presidente congolês, Joseph Kabila, disse que o governo não está disposto a dialogar com os rebeldes. O encontro entre Obasanjo e Nkunda ocorreu em meio a relatos de novos combates na área de conflito, no leste do país. Testemunhas disseram ter visto artilharia pesada e o disparo de foguetes e armas perto do vilarejo de Ndeko, a 90 km ao norte de Goma.Ainda segundo o correspondente, o fato de os conflitos terem ocorrido durante a conversa do enviado da ONU e do líder rebelde não é surpreendente porque ambos os lados querem negociar a partir de uma posição de "força militar". Na sexta-feira, os governos de Ruanda e do Congo fecharam um acordo de cooperação para combater forças rebeldes que atuam na fronteira dos dois países e são acusadas de causar o genocídio de 1994 em Ruanda.Em uma coletiva em Kigali, capital da Ruanda, os ministros das Relações Exteriores dos dois países se comprometeram a adotar uma série de medidas que, segundo correspondentes, pode mudar a situação na região. Ambos concordaram com o envio de agentes de inteligência de Ruanda para o Congo, onde vão trabalhar com o Exército congolês e a comunidade internacional para ajudar a combater a presença da mílicia hutu que atua nas montanhas e florestas da região. Cerca de 250 mil pessoas abandonaram suas casas no Congo para fugir da violência desencadeada em agosto pelos confrontos entre os rebeldes liderados por Nkunda e forças do governo. O governo do Congo já prometeu diversas vezes impedir que as forças hutu atuem em seu território, mas ainda não havia tomado medidas efetivas para cumprir a promessa.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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